Crónicas de uma Leitora: "A Casa do Sono", de Jonathan Coe - Opinião

sexta-feira, 22 de março de 2013

"A Casa do Sono", de Jonathan Coe - Opinião

Sinopse
Um enorme edifício no alto de uma falésia, o barulho das vagas, um labirinto de corredores vazios onde o ruído dos passos ecoa… A propriedade de Ashdown abrigou nos anos oitenta uma residência de estudantes: aí encontramos Sarah, que sofre de narcolepsia e não consegue distinguir os sonhos da realidade; o seu namorado, Gregory, que só atinge o orgasmo ao pressionar com os dedos os olhos de Sarah; Terry, um pretensioso crítico de cinema que dorme pelo menos catorze horas por dia e nunca consegue recordar o que sonhou; e Robert, capaz de amar sem limites. Quatro personagens simultaneamente trágicas e hilariantes, capazes de tecer entre si relações extremas que, contudo, não os impedirão de se afastarem.
Doze anos depois, a residência é transformada numa casa de saúde especializada em perturbações do sono. Estranhamente, os ocupantes do edifício voltam a ser os mesmos. Mas nem sempre se lembram dos laços complicados que em tempos ligaram as suas vidas... Movendo-se entre o passado e o presente, A Casa do Sono é um romance desconcertante, uma estranha e dilacerante história de amor sobre a realidade e o sonho, a memória e a identidade.
Opinião
Poderoso. Envolvente. Plangente.
Bem tentei, mas não consegui resistir. Assim, vi-me na obrigação de escrever novamente acerca deste autor fenomenal.
Mestre na utilização das palavras e na transmissão de sentimentos, Jonathan Coe narra uma vez mais uma história repleta de personagens com características muito peculiares, que seguem caminhos incomuns. Como seria de esperar, a vida, a sensibilidade, a capacidade de decisão estão muito vivos neste romance e o autor extasia-nos por completo com todo o poder que tem de nos tocar.
Tudo faz sentido neste livro e a ligação entre as personagens permanece ao longo de vários anos, não obstante as suas decisões e a vontade de um destino, que por vezes é incerto, noutras impossível de ser controlado ou simplesmente trágico.
A escrita deste autor é um eterno diálogo, como se nos agarrasse com as palmas das suas mãos, e ele próprio nos contasse, cara a cara, aquilo que tem para nos dizer. Nós, leitores, limitamo-nos a captar a mensagem com toda a atenção, sem querer perder uma palavra que seja. E damos por nós a pensar nos seus livros durante meses. 'A Casa do Sono' enquandra-se nesta ideia.
Trata-se de um livro maravilhoso escrito por um autor incomparável, que merece ser conhecido e explorado.
 

2 comentários:

  1. Fiquei, quase diria, arrebatado pelo teu comentário. :)
    Vou ler.

    ResponderEliminar
  2. :) Ah, sim. Ficarei atento às tuas opiniões para ver se gostaste de igual forma, Manuel!
    Abraço :)

    ResponderEliminar