Crónicas de uma Leitora: Comic Con PT 2015

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Comic Con PT 2015


Ruiva, o que estás aqui a fazer? Não devias de estar a ler os 3 livros que tens em atraso?
Sim, devia! Mas a Comic Con e o Grim Fandago falaram mais alto!

Tive a oportunidade de visitar a Comic Con este ano pela Corte do Norte, para representar um pouco da comunidade Steampunk portuguesa, aka trabalhar três dias. Sendo assim este artigo não é sobre os convidados dos painéis nem sobre as filas intermináveis (bem sem ser as da comida que estavam melhores este ano pelos vistos). Como poucas vezes saía da banca, só na sexta, dia de pouco movimento, é que pude dar umas voltas e ver o que se passava no pavilhão principal.

A primeira impressão que deu foi que o anime tem uma presença enorme. Eu já fui ao Iberanime mas pensei que a malta na Comic Con ia divergir para as séries ou videojogos, but nope. Ainda que muitos jovens e adultos tenham passeado à civil acho que o que mais me impressionou foram os cosplayers. Os Spiderman, os Darth Vaders ou dark Lords que andavam pela convenção e paravam não só para tirar as fotos mas também para aceitar os abraços das crianças maravilhadas. O quão awesome é estares ao mesmo lado que o teu super heroi favorito e ele dar-te um fist bump? O Darth Vader da Legião 501 estava tão cansado de posar para as fotos Domingo à tarde, mas quando chegou uma miúda de praí 4 anos e correu para ele e abraçou-o, credo! As pessoas na fila ficaram tipo: awwwwwww! O senhor lá se baixou para tirar a foto rodeado de crianças que o acharam um máximo. E depois a miuda ainda lhe deu um passa bem!! Eu morri por dentro de tanta fofura! Pensei mesmo que os meu órgãos tinham derretido.

Fotografia de Diana Sousa, Corte do Norte
To be honest os painéis e os convidados passavam-me um bocado ao lado. Quanto muito o único painel que me importava era o do Momoa por causa do Aquaman e como foi cancelado, eh. Mas os cosplayers que paravam de minuto a minuto para as fotos, para cumprimentar as pessoas ou até interagir com outros cosplayers foi mesmo os momentos mais altos. Tivemos um Capitão Falcão que provou que todos o adoram e o filme foi um sucesso, tivemos um Fernando Pessoa, um Infante D. Henrique (quero um ruivo D. Sebastião para a próxima edição com uma máquina de fumo atrás dele!) Tivemos ainda muitos Doctors e Deadpools, Harley Quinns e Jokers (geez), criaturas de anime que nunca vi mais gordas e muitos do Star Wars, Poison Ivy, estudantes de Hogwarts, se bem que os visitantes que iam à civis tinham t-shirts de Game of thrones, Harry Potter e Star Wars.

Quanto à comunidade steampunk foi muito bom vermos pessoas de todas as idades visitarem a banca e muitas perguntarem o que era, se andávamos assim na rua todos os dias. Outras já conheciam o género e ficaram admirados de verem uma banca com duas comunidades presentes: A Corte do Norte e a Liga Steampunk de Lisboa. Foi bom ter pessoas a reconhecerem e admirarem o movimento ou até mesmo o que fizemos para vender sem ser seguidor ou admirador. Muitas pessoas riam-se com o que lhes saía nos pergaminhos da sorte, outras adoravam as aranhas mecânicas ou as dicas de etiqueta, muitos adeptos dos nossos doces envenenados. Muitos queriam fazer duelos com as nerfs da Liga e andavam balas de borracha a voar.



Os voluntários foram sempre uns amores ainda que muitas vezes estivessem tão clueless como nós. Mas estando lá a trabalhar de graça, não lhes pedia menos do que boa educação e um sorriso e isso eles tinham sempre. Muitas vezes tinham indicação de vigiar algumas bancas para ver se estava tudo ok e perguntavam se estava a correr tudo bem. Embora não goste muito de voluntariado nestas situações, eles estavam todos felizes porque era uma forma de estar na Comic Con gratuita e alguns ainda estavam nos painéis. Who am I to judge? 

Nos aspetos a melhorar temos a presença da YORN, os multibancos e os "creeps". A banca da Corte estava ao lado do espaço YORN e eu juro por tudo que inventávamos novas forma de matar alguém de lá. A música sempre altíssima (e eu surda como tudo) tornava-se muito difícil de interagir com os clientes e eu detesto invadir o espaço pessoal das pessoas mas parecia que estava numa discoteca em que tinha de berrar ou de falar ao ouvido das pessoas. Uma situação muito desconfortável. O multibanco foi outro problema, não se podia levantar dinheiro a partir de X horas por não haver dinheiro e as filas eram impossíveis. Até entendo que este ano tenha havido mais visitantes mas muitas bancas não tendo multibanco, podia ter havido melhor gestão.
Só me falta falar dos creeps, aka gajos que têm a mania de que são bons e que engatam gajas à toa. eu como uso um escudo protector aka aliança no dedo esquerdo, nunca sofro de nada disso, mas tenho colegas na Corte que ó se sofrem... Para além da malta que anda com placards a dizer: free hugs que é triste uma pessoa quando vir pensar: errr... how about no? Eu até curtia dar free hugs mas são sempre gajos e aposto que é só mesmo para terem gajas a abraça-los =( Quero criar o meu movimento #freeneutralhugs. Acreditem que ás vezes estava tão chateada e tão cansada que abraçava uma das minhas colegas na banca e ela dizia: Ruiva hoje estás a abraçar-me muito. Era sinal que queria começar a matar pessoas, mas em vez disso canalizo as más energias para abraços. So yeah parem com o "free hugs" que a gente sabe que vocês gajos só querem mamas!

Foto de Diana Sousa, Corte do Norte

Por fim, foram três dias exaustivos, onde as horas passavam a voar e consegui encontrar imensas pessoas conhecidas. Dá a sensação que a organização está a melhorar com o tempo e só espero que mudem os contratos com as clausulas de cancelamento dos actores de forma a evitar cancelamentos em cima da hora. Dá a sensação que os actores estão-se meio a marimbar, visto que é Portugal uma coisinha tão pequenina e que o cancelamento devido a motivos de agenda soa meio meh. Mas again, ir à Comic con é mais para ter os geeks e nerds todos juntos num só espaço onde podemos andar livremente com as nossas pancas e amores, é poder tirar uma selfie com um Joker e depois entrar numa luta com lightsabers e ir comer uma sande ou uma waffle de nutella. É bom saber que em Portugal existe gente doida o suficiente para podermos ter uma Comic Con que ainda tem muito para evoluir e que um dia poderá ser tão grande quanto os festivais de música que fazem headlines e ganham prémios internacionais.

Foto de Vanda Adão, Liga Steampunk de Lisboa


1 comentário:

  1. Eu ainda fui ao cantinho da Corte do Norte, calhou-me a revolução industrial. Adoro steampunk!!! Talvez para o ano faça um fato à maneira, este ano deixei-me ficar só pelos óculos...

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