Crónicas de uma Leitora: "Correios", de Charles Bukowski - Opinião

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"Correios", de Charles Bukowski - Opinião



Sinopse
Correios, o primeiro romance de Bukowski, é baseado na sua experiência como empregado dos Serviços Postais dos Estados Unidos ao longo de uma década, e foi publicado num momento em que o seu nome ascendia ao plano do reconhecimento literário universal.
Ponto de partida ideal para qualquer leitor que se queira iniciar na prolífica obra de Bukowski, encontramos em Correios as qualidades dos seus restantes trabalhos. Repleto de cenas hilariantes, este romance é também um retrato fiel das frustrações de um funcionário público sofredor.
As suas personagens, entre a ficção e a realidade, captam a essência e a universalidade do ser humano e nós, leitores, continuaremos a topar, em Bukowski, com bebedeiras, mulheres, zaragatas, eventuais rebates de consciência, enfim, com os trambolhões da vida.


Puro. Brilhante. Autêntico.
De todas as opiniões que realizei no blog, esta foi a que mais trabalho me deu na busca dos três adjectivos com que costumo iniciar as minhas intervenções e que por hábito sintetizam aquilo que cada livro significa para mim. Isto porque eles são imensos, certamente em número superior ao dos caracteres utilizados na totalidade do meu testemunho.
Charles Bukowski foi, a meu ver, um génio. Um génio cheio de defeitos e pensamentos  polémicos. A sua escrita é simples e penso que aí residirá grande parte do seu brilhantismo. Com toda a sua espontaneidade e singeleza, o autor consegue transmitir-nos uma mensagem nítida, quase embrionária, daquilo que pensa e daquilo que vê no mundo que o rodeia.
É impressionante como Bukowski tem a coragem de se mostrar em "Correios". Exibe toda a sua rudeza e mau feitio. E ainda assim - ou melhor, talvez por isso - acabou por se revelar numa das leituras inesquecíveis da minha vida.
A personagem principal é incrível e as suas divagações tão inteligentes quanto humildes, e por vezes até estranhamente nobres; o enredo é viciante e de certa forma lógico em todo o caos nele presente; as peripécias são de chorar a rir, cada qual mais extravagante do que a anterior.
Este livro é um grande 'fala-me de ti' e não um 'fala-me daquilo que queres que eu veja de ti'.
"Correios" é isto, a transparência da alma humana e do seu lado negro, que por se revelar de um modo tão natural acaba por ser adorável. Trata-se de uma narrativa imperdível e de uma leitura obrigatória para quem não teme ser gente.

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