Crónicas de uma Leitora: "A Mentira Sagrada", de Luís Miguel Rocha - Opinião

sexta-feira, 5 de abril de 2013

"A Mentira Sagrada", de Luís Miguel Rocha - Opinião

 
de Luís Miguel Rocha
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 408
Editor: Porto Editora

Sinopse
Será que Jesus foi mesmo crucificado? Terá tudo acontecido como a Bíblia descreve?
Na noite da sua eleição para o Trono de São Pedro, o Papa Bento XVI, como todos os seus antecessores, tem de ler um documento antigo que esconde o segredo mais bem guardado da História - a Mentira Sagrada.
Em Londres, um Evangelho misterioso na posse de um milionário israelita contém informações sobre esse segredo. Se cair nas mãos erradas pode revelar ao mundo uma verdade chocante.
Rafael, um agente do Vaticano, é enviado para investigar o Evangelho… e descobre algo que pode abalar não só a sua fé mas também os pilares da Igreja Católica.
Que segredos guardará o Papa? E que verdade esconde o misterioso Evangelho?
 
Opinião
Intrigante. Espantoso. Viciante.
Este livro de Luís Miguel Rocha tem todos os ingredientes que me levam a apreciar um thriller, entre os quais: movimento, tensão, surpresa, ritmo ou traição. Juntando a capacidade narrativa do autor aos temas tabus que a Igreja consegue acumular como nenhuma outra comunidade, obtemos uma história explosiva.
Contudo, "A Mentira Sagrada" tem pormenores que fazem dele algo mais do que um livro de acção.
Luís Miguel Rocha revela ser um mestre na concepção do enredo. Consegue algo que raramente vi, pois brinca com o leitor, não tomando partido, enquanto narrador, nas distintas e polémicas ideologias que vão surgindo ao longo do texto. Ou melhor, analisando bem, coloca-se de ambos os lados, para no fim nos deixar à mercê da própria história, obrigando-nos a decidir, ainda que inconscientemente, naquilo que queremos acreditar. Outro ponto que me impressionou foi a capacidade de prever certos movimentos dentro da Igreja que hoje, passado dois ou três anos após ter escrito "A Mentira Sagrada", acabaram por suceder. A referência que quero deixar em último lugar aponta para a extraordinária capacidade de conceber personagens incomuns que pensam, criticam e condenam uma religião que, mesmo assim, não deixam de servir e nela continuam a acreditar.
Toda a gente sabe que o autor fala de papas, de intrigas, de um mundo obscuro que qualquer sociedade influente terá, de passos ocultos. Mas nem toda a gente está ciente do brilhantismo de Luís Miguel Rocha na idealização de uma ficção que é perfeita em todos os níveis.
É um livro excelente e um dos melhores que li este ano. E o autor, atrevo-me a assumir, situa-se no topo de escritores que se dedicam a este género literário, não devendo o que quer seja a qualquer um deles.
 

3 comentários:

  1. Vai ser a minha proxima leitura.
    Já mora lá em casa :)

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  2. Estou ansiosa por ler.Ja liu o "Ultimo Papa" e a seguir sera essa a minha leitura,pois ate tenho o livro assinado pelo proprio autor.E esta ein?1

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