Crónicas de uma Leitora: O Perfeito Cavalheiro Maomé, Jesus e James Bond

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Perfeito Cavalheiro Maomé, Jesus e James Bond




Título: O Perfeito Cavalheiro
Maomé, Jesus e James Bond
Um rapazinho muçulmano encontra o Ocidente
Autor: Imran Ahmad
Editora: Editorial Bizâncio, 1.ª Edição Outubro de 2012
Colecção: Vidas
Tradução: Rui Pires de Cabral
Revisão: Sandra Pereira
Paginas: 315

Sinopse:
Uma cativante autobiografia que tomou de assalto o mundo literário, que conquistou o favor da crítica e que tocou o coração dos leitores de todo o mundo.
Escrito com humor e funda perspicácia, O Perfeito Cavalheiro é a história verídica de um rapaz muçulmano que cresceu dividido entre a sua identidade islâmica e o desejo de integração na sociedade inglesa.
Junte-se a Imran na sua luta contra a corrupção e a injustiça, no seu eterno desejo de ser o Perfeito Cavalheiro Inglês (Simon Templar, o Santo) e de ter o carro ideal (Jaguar XJS) e a namorada perfeita (morena, de preferência, mas não necessariamente).
Com um estilo original e uma honestidade a toda a prova, o livro aborda temas sérios, - o encontro de civilizações, o prevalecente racismo ocidental – com a candura de um olhar infantil, divertindo o leitor e convidando-o à reflexão.

Opinião:
Cativante, muitíssimo bem escrito e com um humor ímpar. Estas são, talvez, as três melhores palavras que descrevem esta obra, que me surpreendeu pela positiva, ao ponto de ter lido o livro no espaço de algumas horas. Foi-me impossível parar, tal era a vontade de saber mais e mais sobre a vida do muçulmano Imran Ahmad, escrita pelo próprio, com detalhes únicos e interrogações que nos levam a pensar, designadamente nas diferentes religiões do mundo e no racismo existente no mundo ocidental. Esta foi a luta travada pelo autor desde tenra idade, quando deixou a Índia e foi com os pais viver para Inglaterra em busca de uma vida melhor. A adaptação não foi fácil, muito por culta do olhar de indiferença e das atitudes racistas de alguns ingleses, da altura, contra os emigrantes, sobretudo pela tonalidade de cor da pele como diz Imran Ahmad. Numa luta constante para se integrar na sociedade inglesa, lá conseguiu travar algumas amizades, entre alguns dissabores vividos, com a ideia de se tornar no perfeito cavalheiro, bem ao estilo do actor Simon Templar, no filme O Santo, e de poder conduzir o carro dos seus sonhos – um Jaguar XJS – que acabou por cumprir. O encontro da alma gémea é que não foi fácil e no final persistem dúvidas se acabou por a encontrar numa das suas inúmeras viagens pela Europa, depois de se ter tornado um gestor consagrado numa grande empresa inglesa. Também a vida dos seus pais foi conquistada a pulso, ignorando por completo as “bocas” mandadas pelos ingleses, à semelhança dos seus dois irmãos.
Pelo meio, há tempo para várias dúvidas em relação à religião muçulmana, que o pequeno Imran Ahmad só começa a perceber perto de chegar à adolescência, vivendo num constante conflito com o cristianismo, porque há certos aspectos que aqui também o cativam. Durante o seu crescimento, há ainda espaço para referências sobre conflitos armados na sua terra natal, que lhe causam algum desgosto, bem como a morte do seu avô.
Uma das melhores autobiografias que li até hoje, com a chancela da Editorial Bizâncio, escrita de uma forma tão verdadeira e tão tocante, que é impossível ficarmos indiferentes a tudo o que passou com o autor ao longo da sua vida. O que mais me surpreendeu foi que no meio de tanta luta nunca perdeu o sentido de humor, e com grande classe, conseguiu arrancar-me alguns sorrisos.

Susana Cardoso

Saudações literárias

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