Crónicas de uma Leitora: Moonlight Mile - A última causa | Dennis Lehane | Porto Editora | Opinião

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Moonlight Mile - A última causa | Dennis Lehane | Porto Editora | Opinião


«Lembra-se de mim?», interroga, do outro lado da linha, a voz que arranca Patrick Kenzie do sono profundo. Uma voz feminina e uma frase em jeito de ameaça: «Encontrou-a uma vez. Volte a encontrá-la. Deve-me isso.» 

No dia seguinte, eis que ela surge de novo, no cimo das escadas do metro. Um rosto marcado pelo tempo e pela mão severa do destino. Um rosto que Kenzie não esperava rever. 

Há doze anos aquela mulher pedira-lhe que encontrasse a sobrinha Amanda, de quatro anos, que desaparecera. Os detetives privados Kenzie e Angie Gennaro tiveram sucesso, mas o caso deixou-lhes um amargo de boca: a menina foi devolvida aos cuidados de uma mãe negligente e alcoólica; e os raptores que, afinal, não queriam mais do que entregá-la a uma família que cuidasse bem dela, foram sentenciados a duras penas de prisão. 

Por isso agora que Amanda, com dezasseis anos, desapareceu novamente, Kenzie sente-se obrigado a investigar. Mais a mais porque também ele sabe o que é ter uma filha e o que um pai está disposto a fazer para a ver feliz. A sua investigação será o começo de uma viagem ao coração de um mercado sombrio, onde se traficam identidades e adoções. Um mundo onde o bem pode assumir os contornos do mal, e o mal camuflar-se de bem. Um precipício do qual é melhor não nos aproximarmos muito.

Moonligh Mile - A última causa é o 6.º e último livro da série Kenzie & Gennaro e confesso que estava com algum receio, as séries devem ser lidas por ordem e eu nunca li nada de Dennis Lehane antes por isso entrei nesta história em bicos de pés. O maior problema quando vamos ler o último livro de uma série ou qualquer outro livro fora de ordem é que podemos ter grandes problemas a entender a história de fundo. Claro que cada livro se dedica a um caso diferente porém não podemos esquecer que existem pormenores a nível profissional e pessoal que se vão desenvolvendo em paralelo com as investigações. Porém Dennis Lehane fez um enquadramento fantástico e em nenhum momento ao longo da leitura senti que não estava a compreender e só por isso foi motivo para me sentir fascinada pela escrita do autor, porém há muito mais a ser dito.

Encontramos em Patrick Kenzie um homem cansado e desiludido com a vida, a lutar por um futuro melhor mas com dificuldades em arranjar um emprego fixo que lhe dê a estabilidade financeira e familiar que necessita. O detective privado é confrontado com o desaparecimento de Amanda pela segunda vez em doze anos e percebemos que  Kenzie se sente afectado pela forma como o caso acabou da primeira vez. Vemos aqui a influência da máfia de leste, como tudo gira em torno de tráfico de crianças e como a jovem Amanda está ligada a tudo isto. 

Apesar de não termos um ritmo frenético ou acontecimentos alucinantes A Última Causa torna-se um livro viciante muito por causa do fantástico enquadramento do autor dos acontecimentos do livro Gone Baby Gone. Ficamos fascinados com a inteligência, perspicácia e audácia de Amanda e acabamos por não conseguir largar o livro.

Dennis Lehane acaba por se mostrar um escritor incrível com uma escrita viciante e uma história alucinante. Os fãs do autor não quererão perder o desfecho das aventuras de Patrick Kenzie e Angie Gennaro. 




Exemplar gentilmente cedido pela editora para opinião honesta

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