Crónicas de uma Leitora: A Borboleta de Papel, de Diane Wei Liang [Opinião]

sábado, 27 de abril de 2013

A Borboleta de Papel, de Diane Wei Liang [Opinião]


Sinopse:

A detective Mei Wang, que já conhecemos de O Olho de Jade, debate-se com a gestão da sua agência de investigação numa China onde os detectives privados estão proibidos de exercer. Chamada a esclarecer o desaparecimento de uma deslumbrante cantora pop, Kaili, as diligências transportam-na dos bairros elegantes de Pequim para as velhas ruelas — hutongs — que ainda existem nos limites da cidade com as suas ancestrais tradições e superstições. Aí, Mei, dá por si, não apenas à procura de Kaili, mas também no rasto de uma frágil borboleta de papel que encontrou no apartamento da cantora. À medida que se aproxima o desfecho do caso, torna-se claro que a verdade nem sempre é libertadora e, quando o corpo de Kaili é encontrado, o assassino revela laços com o passado que obrigam Mei a enfrentar alguns dos seus demónios pessoais e reflectir sobre a história de um país que lida mal com os seus fantasmas.

Opinião da Elizabete: 

Este livro despolotou em mim sensações muito contraditórias, já que por um lado adorei o contexto da história, mas por outro não achei a trama nada de especial. O facto de ter adorado o contexto tem também a ver com o facto de já ter visitado a China, e ter comprovado pessoalmente o que lá se passa.
O povo chinês é um povo que vive sob opressão, mesmo nos dias actuais. Quando lá estive, um amigo meu foi proibido de entrar na Expo porque tinha o número 79 estampado na t-shirt, mas não lhe explicaram o porquê. Perguntamos a uma data de pessoas, e apenas um grupo de estudantes nos elucidou, explicando que era o ano da guerra sino-vietnamita e que eles estavam proibidos de falar nisso. É esta opressão que está muito bem caracterizada no livro, com os estudantes a sairem à rua, a protestarem e a serem chacinados pelas autoridades. No livro também é caracterizada a sociedade chinesa, tendo como aspecto forte as crenças e as superstições, que como puderam reparar com a história do 79, são completamente exageradas. Se eu não tivesse estado lá e visto com os meus olhos, se calhar até eu acreditava que a autora tinha exagerado um bocadinho. Mas não exagerou.
No entanto, a história não envolve tanto como o contexto. É uma história simples, com um enredo fácil de desvendar, com as cartas todas postas na mesa desde o início. Penso sinceramente que este livro foi mais feito para expôr a forma da sociedade chinesa (porque ao lerem vão perceber que tudo assenta na época dos estudantes revolucionários) do que propriamente para contar uma história, tendo sido esta um pretexto. É que ela não está mal escrita, apenas lhe falta um ponto forte, um factor de espanto que um policial deve ter, tendo em conta que existe um crime e alguém que o resolve. Mas o desvendar do crime foi muito rápido e sem grandes complicações e o final não foi nada que não se suspeitasse logo de início
Ainda assim, apesar de a história não me ter maravilhado, fiquei feliz por me ter aproximado desta cultura e me ter feito recordado esta viagem. Um livro a quem eu aconselho a leitura a quem não procura uma grande história, mas sim um pouco de conhecimento sobre uma sociedade completamente diferente.

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