Crónicas de uma Leitora: Convergente, de Veronica Roth [Opinião]

domingo, 30 de março de 2014

Convergente, de Veronica Roth [Opinião]

Sinopse:
A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída – dilacerada por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio.
Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas. Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama. Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor. Convergente encerra de forma poderosa a série que cativou milhões de leitores, revelando os segredos do universo Divergente.
Uma semana. Uma semana foi o tempo que demorei a devorar esta trilogia e rapidamente se tornou uma das minha favoritas. A escrita de Veronica de Roth é tão cativante que somos completamente arrastados para dentro desta história, vivendo-a com uma intensidade quase assustadora. Quando percebi que o último livro tinha capitulos alternados entre a Tris e o Tobias apenas achei que era muito inteligente finalmente dar-nos o seu ponto de vista, nunca tendo desconfiado por uma única vez do que Roth iria fazer, como eu nunca li qualquer spoiler entrei na leitura como uma tábua rasa, a unica coisa que eu sabia era que havia muita gente desagradada com este livro. Para mim tudo fazia sentido, o facto de a informação crucial se encontrar no último livro está espectacularmente bem feito, só que aqui começam os problemas.
Voltando ao facto de finalmente termos a visão de Tobias, infelizmente a autora não soube criar uma voz diferente para ele tendo eu muitas vezes de voltar ao inicio do capitulo para ver quem estava a narrar a acção.

A explicação genética e a forma como as pessoas fora da cerca tratam os "danificados" dos considerados puros é demasiado hitleriana, tratando os da cidade como meras experiências, tendo-me por vezes deixado a ideia que eram quase considerados pouco mais que animais amestrados, alterando-lhes a vida a seu bel-prazer, não interferindo em momentos de suma importância ou interferindo da pior maneira possível. Ainda assim gostei deste ponto, achei-o bem construído e explicado, afinal quantas pessoas não são capazes de absolutamente tudo para conseguirem o que querem, sacrificando os que consideram inferiores para um bem maior?
Temos um casal mais maduro aqui, sem tantos segredos e mentiras, consegui ver um futuro feliz para eles. Tris é sem dúvida uma das minhas personagens favoritas de sempre, a sua coragem aliada ao altruísmo fazem dela extremamente humana e destemida. Vemos ao longo da trilogia a sua força sempre a crescer e em Convergente tem uma personalidade muito mais adulta, tomando decisões com uma racionalidade e intuição incrível. No entanto achei Tobias mais fraco até certo ponto e um pouco perdido, ainda assim adorei esta personagem.

Veronica Roth não se coibiu matar muitas personagens o que em parte é positivo pois dá mais emoção à narrativa, mostra que todos são vulneráveis e que ninguém é imune ao sofrimento, à dor e à perda mas ainda não consigo acreditar que o final foi aquele, não consigo aceitar que aquele fosse o melhor final possível, afinal não bastou tudo o que eles passam ao longo de toda a história ainda assim não têm direito a um final feliz? Penso mesmo que o final não fez jus à personagem depois de tudo aquilo que passou e fez, não era assim que deveria acabar. Tenho um sentimento de revolta enorme com o que a autora fez pois como disse esta trilogia depressa se entranhou em mim com uma força visceral e terminar desta maneira deixa uma sensação de vazio sem sentido. Eu já choro desalmadamente com alguns livros mas este, deixou-me inconsolável, estou extremamente desiludida e gostaria de ler um final alternativo.

Àparte da minha opinião pessoal que é o mais importante aqui no blog tenho de dizer contudo que apesar do choque e desilusão o livro é muito bom e em certa medida consigo entender que a vida nem sempre nos trás finais felizes e que o sacrifício se for por um bem maior por vezes é necessário, eu entendi bem a mensagem que nos é passada, ainda assim não posso aceitá-la, afinal é um livro e não a vida real.

2 comentários:

  1. Estou ansiosa por ler esta trilogia! e frustrada porque falta me encontrar o primeiro volume...estou a ver que vou ter de encomendar via internet..
    Está quase a estrear "Divergente" nos cinenmas e estou em pulgas, espero nao desiludir-me..
    biejinhos

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  2. Olá, blogueira!
    Concordo com cada palavra sua e estou muito insatisfeita com o final que a Veronica Roth deu a Tris. Sei que é ilusão da minha parte supor que tenhamos algum efeito na opinião dela, mas acho que me conforta muito saber que podemos escrever a ela e fazer essa solicitação - além dos milhares de leitores que já devem ter feito isto.
    Com a J.K.Rowling eu passei aperto, na minha fase de adolescente, pois jurava que ela mataria Harry Potter. E não acho justo levar embora os personagens que, de alguma forma, faz com que façamos nossas transferências e isso nos ajude de alguma forma a viver a vida de uma forma mais...altruísta, abnegada, corajosa.
    Eu realmente não gostei do final e isso abalou muito o meu emocional, pois passei por uma fase de vida complicada - um câncer - que a Tris me ajudou. E a Tris morreu.
    Obrigada por compartilhar comigo da insatisfação e grande abraço!

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