Crónicas de uma Leitora: "A Vingança das Vagas", de José Teles Lacerda - Opinião

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

"A Vingança das Vagas", de José Teles Lacerda - Opinião



Edição/reimpressão: 2012

Páginas: 392

Editor: Esfera do Caos

Sinopse:
No longínquo ano de 1506, trinta e sete colonos moribundos foram forçados à desesperada tentativa de povoar uma ilha amaldiçoada. Dizia-se, nessa época, que naquele gigantesco amontoado de ravinas negras vogava a voz do Diabo. Quinhentos anos passados, não existem documentos que descrevam o sinistro martírio coletivo, na tentativa de povoamento dessa ilha maldita. Aliás, em nenhuma biblioteca do mundo se descobriu uma única página contendo alusões ao sucedido. Em suma, ninguém conhece a verdadeira localização da maligna massa insular, para sempre perdida no meio do oceano. Durante os serões, o avô Vicente alerta Bernardino Gávea para os perigos inerentes à convivência com a violência das vagas. Fascinado pelas narrativas náuticas, que o septuagenário lhe transmite, o menino sonha ser um intrépido conquistador dos mares — há de conseguir, afinal, reencontrar a ilha que o medo humano apagou dos mapas.

Opinião:
Sentimental. Forte. Fantasista.
Este é um livro que fala das raízes de um povo, de uma cultura, de um modo de ser. Aborda o diferente comportamento de gentes oriundas de várias gerações. Fala de aventura e repressão, de heroísmo e receios, de coragem e preconceitos. Muito da maneira de ser lusitana, tão fechada por vezes, tão ambiciosa noutras ocasiões, está exposta nestas páginas. E um choque de ideias e conceitos está permanentemente presente nas personagens. A escrita do autor é bastante bela e apresenta uma qualidade inquestionável. Contudo, a maneira como a narrativa está construída, com uma forte adjectivação e um certo lirismo, fez com que, periodicamente, me desprendesse do desenrolar dos acontecimentos. Esta situação, porém, terá a ver com gostos pessoais, não com a superioridade da obra.


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