Crónicas de uma Leitora: Livros à porrada: Coração selvagem VS. Baile de máscaras

terça-feira, 14 de julho de 2015

Livros à porrada: Coração selvagem VS. Baile de máscaras

Deixem que vos diga uma coisa, 2015 blows! Literally, estou tão desiludida com algumas das minhas leituras que tenho medo de pegar em livros que penso que vou adorar só para não ter o desgosto da minha vida… No entanto, 2015 também tem sido um ano de descobertas interessantes. E nada mais reflecte o meu ano de leituras como estes dois livros. Ambos representam o que eu adoro num livro e o que eu detesto, basicamente, adoro um bom romance com uma personagem masculina desfigurada e detesto ter high hopes para um livro e elas saíram goradas. So without further a do, vamos lá ver: Coração Selvagem da Elizabeth Hoyt contra Baile de máscaras da Shannon Drake. Qual dos dois vencerá?



Ahhh Quinta Essência. Ainda me lembro quando o nosso romance platónico começou. Tu a publicares eróticos e eu a lê-los. Éramos um casal feliz, tu com as tuas capas lindas e as traduções perfeitas, eu feliz da vida a ler os teus livros… Yeah o nosso romance não vai NADA bem. A Quinta Essência é daquelas editoras que pode-se queixar dos leitores portugueses, porque por algum motivo as séries boas são quase sempre canceladas porque não vendem… God knows why. E, apesar disso, têm-se virado para autoras que, sendo honesta, não me aquecem nem arrefecem. No entanto, tenho no meu stock de romances para ler deles e sei que sempre que me apetecer posso pegar em alguns livros deles antigos e passar um bom tempo. Coração selvagem não é esse tipo de livro. Mas a culpa não é totalmente da editora. Para ser honesta, esta série é muito boa, todos os livros contam uma história simples cheia de romantismo e os casais funcionam na perfeição. 

O que falhou neste? As personagens. Que desilusão. Só as personagens secundárias é que se safam mas isso foi porque já apareceram nos livros anteriores. Reynaud é o protagonista do fecho e nós conhece-mo-lo através de conversas nos livros anteriores. Ele é suposto estar morto. E ao início ele é bastante convincente. Ele foi torturado, feito cativo num mundo completamente estranho e, para ele, não civilizado. O Reynaud do início funciona e cativou-me pela sua personalidade misturada, ora queria voltar a ser o que era antes, ora não o conseguia porque os anos em que esteve prisioneiro mudaram-no. Isto é completamente compreensível. No entanto, sente-se que ele está demasiado focado numa coisa: conseguir tudo o que possuía de volta. Literalmente o livro todo é ele a provar que não é maluco e a tentar reunir tudo. É uma obsessão estranha e idiota. Ele está bem e está vivo. Deveria dar graças a Deus e não começar a planear logo ter a casa de volta em seu nome ou o seu emprego. 

O que nos leva à personagem feminina, Beatrice. Não me aqueceu nem arrefeceu. Ao contrário das outras personagens femininas nesta série, ela pareceu-me tão sem espinha e tão proper que não senti nada por ela. Verdade que os diálogos e a tradução ora demasiado severa ora cheia de palavras demasiado actuais para um livro passado algures no século XVIII (ou XIX). Infelizmente tanto Reynaud como Beatrice têm pouca química, o que num livro de romance não é das melhores qualidades. O que safou o livro? O mistério e alguma acção na política. Finalmente sabemos quem foi o snitch que levou ao desastre e à captura de Reynaud e ainda conseguimos ver Beatrice algo envolvida na política. O que por um lado fez-me feliz porque mostrou, embora com alguma brevidade, que as mulheres influenciavam, e muito, os homens na política. Se a Beatrice tivesse tanto espinha no resto do livro como na sua influência com a política, o livro tinha sido de 4 estrelas acreditem.
Infelizmente, Coração selvagem por si só não e um livro mau, o problema é que vem na sequência de dois livros muito bons, o que por si só é um pouco injusto na classificação. É talvez o mais fraco e previsível dos 4 livros mas ainda assim vale a pena ser lido. Hoyt tem sempre o dom de escrever livros que se lêem tão rápido e ficamos quase sempre satisfeitas depois da sua leitura. Mas a verdadeira surpresa foi este livro…

Plot: Básica mas ao menos não deixa nenhuma ponta solta, ata tudo muito bem.

Personagens: Ambas as personagens principais fazem um pouco de comichão a quem gosta de personagens mais down to earth. Nenhuma está on point, mas também não são terríveis

Pacing: Perfeito. Não há momentos mortos nem momentos demasiado acelerados.

Tradução: … uma valente bosta! Nem parecia da Quinta Essência. Já vi piores pela SdE sim, mas da Quinta Essência nunca pensei.


Sabem quando uma pessoa vem à vossa beira e diz: ui estás a ler um livro da Harlequin? Ahahaha são tão maus. Ok, eu quero que vocês façam o seguinte. Ide até uma pastelaria, peçam um bolo com muito creme, assim mesmo a abarrotar de creme, tipo um eclair ou uma bola de berlim, abram para o creme espalhar e amandem à cara dessa pessoa. Depois comam o resto do bolo, até porque já pagaram pelo pedaço de pastelaria. Porque esta trilogia e Baile de máscaras IS AWESUUMMEE! E quem me disser o contrário leva com um pastel de nata. 

Querem aventura? We got it! Querem homicídios e tentativas de homicídios? We got it? Querem romance com uma personagem feminina independente e uma personagem masculina desfigurada? We have it aaaalll covered! Querem livros sobre o Egipto? SIM!  Com cenas de sexo? SIM! Isto tem tudo, a sério. Camille é uma mulher independente que trabalha para o museu do Egipto em Londres e ela é tão porreira. Pode não ser uma badass oh meu deus, mas para um livro passado no século XIX, let me tell you, a Shannon Drake deu bastante personalidade à moça e não se deixou ir pelo estigma de é-mulher-antigamente-por-isso-é-submissa. 

Aliás, são Camille e Brian que fazem o livro e a autora foi tão inteligente em meter mais do que o romance entre os dois. Muito sinceramente o romance é mais uma subplot competente para a plot principal: quem matou os pais de Brian? Se fosse para escrever uma sinopse em duas frases seria: Brian sabe que a morte dos seus pais não foi uma acidente, mas após anos de reclusão, a visita inesperada de Camille faz com que ele saia do seu castelo para enfrentar a sociedade. Uma série de casos estranhos fazem com que Brian não duvide mais que os seus pais foram assassinado, mas estará ele e Camille a salvo? 

O início é muito Beauty & the beast e apesar de não ser um retelling per se, só o início me ter feito lembrar do filme já é kudos eternos.

So yeah, querem um livro super fixe para ler nas férias na praia, na esplanada ou em casa? This is the one. E nada de: ai mas isso é livro de gaja. Trust me, it’s not! A Harlequin não tem só livros para mulheres e o baile de máscaras prova isso.

So vamos ao final countdown.

Plot: Uma boa mistura de acção + mistério com subplot romântica.

Personagens: Camille é independente e inteligente; Brian tem complexos pelas suas cicatrizes mas é um homem adorável e também bastante inteligente. Ambos adoram o Egipto. O casal embora não seja daqueles que entram no top 10 melhores casais, funcionam bem e nós queremos que eles fiquem juntos no fim.

Pacing: Perfeito. Não há momentos mortos nem demasiado rápido.

Tradução: Competente. Infelizmente trocaram o nome de uma personagem no início mas depois verificaram no 2º livro da série onde ele aparece.

Veredicto final

Plot: Baile de máscaras. Sorry Hoyt, mas mortes e tentativas de homicídio com cobras são bem mais fixes.

Personagens: Aceito a Camille todos os dias. Prefiro uma mulher que trabalha a uma que é apenas bonita e consoante os standards da sociedade.

Pacing: Empate. Ambos os livros lêem-se muito bem não me posso queixar.

Tradução: … bem vou passar este porque a culpa não é das autoras que a tradução esteja má ou pior… so vamos passar para outra categoria para desempatar.

Mensagem: Hum esta é difícil mas vou com o Baile de máscaras. O Reynaud é tão bitter que não se aprende nada demais a não ser o: oh love always wins, e ele no fim do livro vai mudar a sua opinião sobre a Beatrice bla bla. No Baile de máscaras o fim tem uma moral… uh engraçado… ainda há dias dizia que não gostava nada do fim e hoje estou a defende-lo… oh well… não é que não goste do fim per se. Simplesmente esperava algo diferente. Mas a mensagem está lá e é bastante específica. So yeah ponto vai para Baile de máscaras.

Coração Selvagem: 1
Baile de máscaras: 3

O vencedor:




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