Crónicas de uma Leitora: A Hora Solene | Nuno Nepomuceno | Topbooks| Opinião

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A Hora Solene | Nuno Nepomuceno | Topbooks| Opinião




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Lutai, vós, homens de valor.

Londres, Reino Unido.

Numa fria noite de tempestade, um homem é esfaqueado e abandonado na rua. A poucos quilómetros de distância, um terrorista pertencente a uma organização criminosa auto-intitulada O Gótico entrega-se aos serviços secretos. Ao mesmo tempo, um avião sofre um violento atentado ao sobrevoar a Irlanda e um vídeo é enviado à redacção de uma famosa cadeia televisiva.

A intriga acentua-se quando um milionário começa a ser alvo de extorsão. No centro destes acontecimentos, encontra-se André Marques-Smith. Alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o espião português é obrigado a protegê-lo. Mas não está sozinho. Foragidos, dois colegas dissidentes regressam e revelam ao mundo a verdadeira génese de um antigo projecto de manipulação genética. E há ainda uma mulher. Em parte incerta, esta enigmática espia de feições orientais poderá ser a chave de todo o mistério. Mas que explicação haverá para o seu desaparecimento? Conseguirão os dois agentes ultrapassar o fosso criado entre eles?

Através de uma viagem frenética por entre os deslumbrantes cenários reais de Moscovo, Londres, Hong Kong, Macau, Praga, o Grande Buraco Azul e Lisboa, os perigos multiplicam-se e André dá por si a lutar pela sobrevivência. Questões sobre ética, moral, religião, família e o valor da vida humana são levantadas. E uma teia de falsas verdades, ilusões e complexas relações interpessoais é desvendada no derradeiro capítulo de uma série policial que já marcou a ficção portuguesa.

Inspirado num discurso de guerra de Winston Churchill, depois de ver o talento confirmado com A Espia do Oriente, revelado ao público através da vitória no Prémio Literário Note! 2012 com O Espião Português, Nuno Nepomuceno apresenta A Hora Solene, a terceira e última parte da trilogia Freelancer. Um romance de espionagem imprevisível, no já característico estilo sofisticado e intimista do autor, onde os valores tradicionais da cultura nacional se fundem com uma abordagem inovadora e única que o irá surpreender.


Para quem não acredita nas capacidades dos autores portugueses, sobretudo no género espionagem/policial, recomendo o meu autor preferido do género, Nuno Nepomuceno através da trilogia Freelancer.

Sendo este livro o último de uma série de três, recomendo a leitura completa da trilogia de forma a aproveitar melhor esta leitura e contextualizar melhor a acção e personagens.
O autor cresceu imenso de livro para livro, mas a preocupação com os cenários, a complexidade das personagens e o excelente conteúdo literário encontram-se bem patentes nas três obras.

Este último livro deixa um gosto amargo e doce de uma excelente leitura e fim de uma trilogia. Confesso que o autor conseguiu sempre surpreender-me e as reviravoltas que se vão sucedendo ao longo dos capítulos não nos permitem pousar o livro.

O autor brinda-nos com o revisitar das personagens dos anteriores livros mas sem se esquecer de nos apresentar  algumas novas, sempre bem desenvolvidas e enquadradas no contexto da acção. Somos envolvidos pela densidade e evolução da história, bem como pelas cidades e cenários pelas quais viajamos durante a leitura.

Foi difícil não "tomar as dores" de algumas personagens, torcer por umas e querer ver outras pelas costas. É uma leitura que nos permite rir, chorar (ou pelo menos uma lágrima ao canto do olho), ter esperança num mundo melhor e conhecer o ser humano e as suas capacidades.
Achei engraçado o autor ter feito uma breve referência a si próprio em contexto da acção e o final foi soberbo.

Aguardo, com grande expectativas, futuras obras deste autor, que me habituou a horas de excelentes leituras. Esta é uma série de excelente qualidade que todos deveriam ler e acredito que, se chegar ao estrangeiro, será um sucesso.

Quero agradecer à editora Topbooks  a renovação do visual que "O Espião Português" sofreu, bem como a aposta nas edições de "A Espia do Oriente" e "A Hora Solene" e consequentemente a aposta no Nuno Nepomuceno.

Resta-me dizer que esta opinião está alinhavada há muito tempo, li o livro assim que o recebi e fiquei deliciada e triste por ter terminado. Estes livros merecem ser lidos e levados mais além. O autor costuma estar presenta na Feira do Livro de Lisboa, espero que este ano também, pelo que deixo aqui a nota.



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