Crónicas de uma Leitora: A Viajante| Diana Gabaldon| Opinião

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A Viajante| Diana Gabaldon| Opinião



"Estava morto. No entanto, o seu nariz palpitava dolorosamente, coisa que lhe era estranha, dadas as circunstâncias."
Assim começa o terceiro livro da série Outlander, em que ficamos a saber que, afinal, Jamie Fraser não morreu no campo de batalha de Culloden. De volta ao século XX, Claire fica em choque com a notícia de que Jamie está vivo, mas, muito mais que isso, fica radiante. Ouvimos a história de Jamie, como ele mudou, tentando alcançar uma vida a partir dos pedaços da sua alma e do país que deixou para trás, e o breve relato de Claire sobre os 20 anos que passaram desde que o deixou em Culloden, enquanto Roger MacKenzie e Brianna, filha de Claire e Jamie, se aproximam das pistas do passado, numa busca incessante por Jamie Fraser. Será que o podem encontrar? E se o conseguirem, Claire voltará para ele? E se ela o fizer… o que se sucederá?
Dos fantasmas de Samhain nas terras altas da Escócia para as ruas e bordéis de Edimburgo, do mar turbulento e das aventuras nas Índias Ocidentais, percorremos páginas de história repletas de revolta, assassínio, vodo, fetiches, sequestros, e um sem-número de inúmeras aventuras. Por detrás de todas elas, porém, jaz a questão de Jamie:
"Vais aceitar-me, Sassenach? Arriscar no homem que sou ao invés do homem que conheceste?"

Para mais informações sobre este livro, clique aqui.


Cerca de vinte anos após publicação na sua língua original, A Viajante chegou finalmente a Portugal. A espera foi longa, pois até mesmo o volume anterior da série já havia sido publicado em português em 2011, mas aquele que foi premiado com o título de "Best Opening Line" pela Entertainment Weekly é, sem dúvida, um livro que compensa todo o tempo passado sem novidades dos já tão amados Claire e Jamie Fraser.

Recorrendo aos saltos cronológicos que tanto parece apreciar, a autora conduz o leitor por voltas e reviravoltas dos mais variados tipos neste que é mais um romance épico bem ao estilo a que tem vindo a habituar o seu público. De desenvolvimento lento e por vezes correndo o risco de ser demasiado pormenorizado em certos pontos, A Viajante é, ainda assim e acima de tudo, um paradoxo de emoções e acontecimentos: desde novas viagens no tempo, passando por reencontros apaixonantes, e aventuras com piratas pelos mares da Jamaica, tudo pode ser encontrado aqui.

Ao fim de três livros,  permito-me afirmar que Diana Gabaldon é uma escritora especialmente exímia na criação da vertente pessoal e sentimental das suas histórias, conseguindo fazer com que o leitor crie uma grande empatia com as suas personagens, se alegre com os seus triunfos e se compadeça com os seus infortúnios. No entanto, é-me possível também notar que a autora tende a não apresentar o mesmo controlo no que toca à construção do enredo, vertente das suas histórias que decorre muitas vezes a um ritmo inconstante ao ponto de parecer desleixado, onde muito acontece em simultâneo em certas secções ou nada parece ocorrer de todo em outras.

Ainda assim, A Viajante é um sólido ponto de viragem para a incansável jornada que foi a vida dos seus protagonistas até este ponto. A partir deste livro, nada será como um dia foi. O cenário principal vai mudar em termos definitivos - digam 'Olá' à América do Norte -, adivinha-se já que o tipo de intriga vá também modificar-se, e até o protagonismo vai passar a ser mais fortemente dividido com outros personagens. Fosse esta uma outra série, escrita por uma outra pessoa, e este poderia, aliás, ter sido o capítulo final para esta história. No entanto, assim não o é, e eu pessoalmente continuo bastante curiosa em relação ao que o futuro trará a todo o excelente elenco que habita o universo de Outlander.

2 comentários:

  1. Sou viciada na série! *.* Tenho de começar a ler os livros também!

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  2. Comecei a ver a serie e adorei, pelo que começou a ler o primeiro livro. Estão a filmar a 2º temporada pelo que irei ler o 2º livro num futuro proximo. A autora lançou a pouco tempo o 8º livro, porém em Portugal somente há 3.

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