Crónicas de uma Leitora: A Herdeira | Kiera Cass | Marcador | Opinião

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A Herdeira | Kiera Cass | Marcador | Opinião

A Princesa Eadlyn cresceu a ouvir histórias intermináveis de como a sua mãe e o seu pai se conheceram. Vinte anos antes, America Singer entrou na Seleção e conquistou o coração do Príncipe Maxon - e viveram felizes para sempre. 

Eadlyn sempre achou romântica esta história de encantar, mas não tem qualquer interesse em tentar repeti-la. Por si, adiaria o casamento tanto tempo quanto possível.
Mas a vida de uma princesa não é inteiramente sua e Eadlyn não pode escapar à sua própria Seleção - por mais fervorosamente que proteste. 

Eadlyn não espera que a sua história acabe em romance. Mas com o início da competição, um candidato poderá acabar por conquistar o coração da princesa, mostrando-lhe todas as possibilidades que se encontram à sua frente… e provando-lhe que viver feliz para sempre não é tão impossível como ela pensou.

A Herdeira é o quarto livro da série A Seleção.



Depois de ter lido a trilogia inicial em inglês não podia perder a oportunidade de ler a continuação, saber mais sobre America e Maxon e ao mesmo tempo acompanhar o percurso da sua filha mais velha, Eadlyn.

Confesso que sempre achei America uma personagem indecisa e por vezes irritante mas a maioria das vezes os seus receios tinham fundamentos e a trilogia distópica foi para mim mais um "conto de fadas" que uma distopia propriamente dita, algo que Kiera Cass falhou redondamente a fazer.

O que Cass não falhou foi em construir uma personagem feminina ainda mais irritante. Eadlyn é fútil, mimada, arrogante e egocêntrica e isso contrasta imenso tanto com a personalidade dos pais como dos próprios irmãos, incluindo o irmão gémeo. Isso foi provavelmente o que mais me espantou e incomodou, como é que America e Maxon têm filhos tão adoráveis e perspicazes como Ahren e Kaden e com tanto humor como Osten e depois a princesa herdeira, a futura rainha pode ser tão detestável.

Claro que Eadlyn não é só defeitos, não podemos esquecer que é uma jovem de 18 anos que foi criada para ser rainha e desde cedo sente o peso das suas responsabilidades nos ombros, porém toma isso muitas vezes como um castigo. A Seleção é algo que ela nunca faria e todo o processo é bastante penoso a postura perante os Selecionados é quase sempre muito arrogante e poucas vezes baixa a guardar mas quando o faz mostra que há a possibilidade de se tornar uma pessoa fantástica.

Acho que um dos aspectos mais interessantes desta série é a situação socio-económica e política de Illéa, Maxon conseguiu a igualdade entre todos através da abolição das castas porém não podemos esquecer que um povo acostumado a determinadas regras tem mais dificuldade em se adaptar a uma liberdade que não conhece. É desta forma que encontramos Illéa 20 anos depois, depois de rebeldes que lutavam pelo fim das castas temos agora motins das pessoas que são vítimas de discriminação, pessoas que devido à casta dos pais não conseguem encontrar trabalho, estudar na área desejada ou receber uma promoção que julgam merecida. Para acalmar a revolta Maxon e America decidem fazer uma nova Seleção. Distracção para o povo o que me parece de alguma forma (ou em muitas formas) errado.

E agora perguntam-me "mas se achas tudo isso porque deste 4*?" porque tal como disse adoro todo o universo político, económico e social e adoro ver a interação dos Selecionados com Eadlyn (mesmo que ela seja uma idiota a maior parte do tempo). Também porque adoro a escrita simples de Kiera Cass e porque as história dela se consomem compulsivamente.

Apesar de todos os defeitos apontados à futura rainha vemos que à medida que a narrativa evolui Eadlyn começa a perceber que grande parte do problema é ela e a sua personalidade reservada que o povo sente como sendo frieza e como se ela não se preocupasse. Haverá também dois confrontos em que lhe são ditas algumas verdades e é a partir daqui que espero que ela consiga amadurecer.

O final deixou-me de lágrimas nos olhos, verdade, outra vez mas é mais forte que eu e claro que fica tudo em aberto. CSe na trilogia inicial já sabíamos quem iria ganhar aqui é tudo uma incógnita e apesar de já ter os meus preferidos aguardo ansiosamente a conclusão desta série que me traz sentimentos tão controversos (não vou contar que já me spoilei toda e já sei com quem ela fica).

Quem leu os primeiros três livros não pode perder A Herdeira, porém mesmo que não tenham lido podem sem dúvida começar por aqui.

E já sabem que vai haver filme d'A Seleção? Mal posso esperar!




Este exemplar foi gentilmente cedido pela Marcador para opinião honesta

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