Crónicas de uma Leitora: Sempre o Diabo | Donald Ray Pollock | Quetzal | Opinião

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Sempre o Diabo | Donald Ray Pollock | Quetzal | Opinião



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Localizado no sul rural do Ohio e da Virginia, Sempre o Diabo segue um elenco de magnéticas e bizarras personagens, desde o fim da Segunda Guerra Mundial até 1960: Willard Russell - veterano atormentado pela carnificina no Pacífico Sul - que não consegue salvar a sua bonita mulher, Charlotte, da morte agonizante de um cancro, por mais sangue sacrificial que derrame sobre o tronco das orações. Carl e Sandy Henderson, a equipa de marido e mulher assassinos em série, rolando pelas autoestradas da América, em busca de modelos para fotografar e exterminar. Roy, o pregador tratador de aranhas e o seu sócio, Theodore, deficiente e exímio guitarrista. No meio de tudo isto, Arvin Eugene Russell, o filho órfão de Charlotte, que cresce e se transforma num homem bom, ainda que também violento. 

Ligando a perversão de um Oliver Stone (em «Natural Born Killers») aos cambiantes religiosos e góticos de Flannery O’Connor, Donald Ray Pollock tece os fios da intriga de forma tensa e arrebatadora, revelando a enorme mestria de um novo narrador americano.



Diferente.
A melhor maneira que consigo descrever este livro será compará-lo com um filme a preto e branco. Ao longo da narrativa acompanhamos a crueldade do ser humano. Quer seja em nome do amor, do fanatismo religioso, da família, da ambição desmedida ou do prazer. 

A partir de uma personagem, Willard veterano de guerra, é um homem atormentado pelo passado e pelo presente; o autor vai nos dando a conhecer as personagens chave das diversas narrativas que decorrem em simultâneo.

Roy é um pregador fanático que faz dupla com Theodore, que é seu primo e cria um ambiente musical propicio aos seus sermões; Carl e Sandy o casal que é uma dupla de assassínios em série que vive todo o ano para a sua "caça", e outras, igualmente importantes, que o autor nos apresenta ao longo narrativa cujo passado "justifica" o seu cruel percurso.

Apesar de ser um livro muito bem escrito, cujas narrativas têm um final convergente e sombrio, não me arrebatou, fiquei com uma sensação de faltar algo que não sei bem o que é... Talvez o excesso de crimes hediondos e situações sangrentas... 


Recomendo a sua leitura aos amantes de thrillers pois trata-se um livro único e muito bem escrito.




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