Crónicas de uma Leitora: Perdida | Carina Rissi | Topseller | Opinião

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Perdida | Carina Rissi | Topseller | Opinião




E se o amor da sua vida apenas existisse no século XIX?

Perdida é uma história divertida, apaixonante e intensa, que vai querer devorar até à última página.

Sofia é uma jovem de 24 anos que vive numa grande cidade e está habituada à sua vida independente e moderna. Divertida, mas solitária, Sofia não acredita no amor, convencida de que os únicos romances da sua vida são aqueles que os livros lhe proporcionam. 

Porém, após comprar um telemóvel novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século XIX, sem saber como ou se poderá voltar para sua casa, para o «seu» século. Enquanto tenta encontrar uma solução, é acolhida pela família Clarke, à qual, à medida que os dias passam, se afeiçoa cada vez mais. 

Com a ajuda do prestável ? e lindo ? Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba por encontrar pistas que talvez a ajudem a regressar à sua vida.

O que ela não sabe é que o seu coração tem outros planos, e que a ideia de deixar o século XIX pode vir a tornar-se angustiante?
Comecei este livro com expectativas bastante elevadas, uma amiga leu o ebook original e adorou e já o tinha recomendado. Só ainda não o tinha lido porque não aprecio a leitura em português do Brasil por isso quando vi que ia sair uma edição portuguesa fiquei super contente.

Acho que é impossível abstrairmo-nos do facto do livro ser de uma autora brasileira, apesar do excelente trabalho de adaptação há na escrita uma musicalidade própria do povo brasileiro. Aliás o facto de o original ser brasileiro é algo que está patente em todas as páginas, e porquê? Porque a linguagem da Sofia está carregada de calão. Sim, em Portugal usamos mas mais em situações de grande casualidade, não é comum  o uso tão corriqueiro como acontece no Brasil que está enraizado em todos os estratos sociais. Isto não é uma crítica mas antes uma forma de mostrar que apesar de se tratar da mesma língua as diferenças culturais acabam por fazer diferença numa obra literária. Assim o livro está pejado de um calão (porreiro, fixe, tipo) que se fosse uma portuguesa a viajar no tempo seria facilmente suprimido mas que tendo em conta que é algo enraizado na cultura brasileira acredito que não haveria outra forma da autora escrever. Este foi para mim o único ponto negativo em todo o livro, até porque sendo o calão português tão diferente do brasileiro houve algumas expressões que não me "caíram" lá muito bem.

Vamos à história em si? Então a Sofia foi uma personagem  que faz jus ao famoso slogan (nunca usado) do Pessoa para a Coca-Cola... primeiro estranhei e estranhei mesmo muito, achei que sendo ela fã de Jane Austen e tendo lido Orgulho e Preconceito tantas vezes deveria ter um pouco mais de noção do tipo de comportamento que deveria ter no sec. XIX. De qualquer forma é a sua maneira desbocada de ser que cativa Ian e a sua irmã Elisa. Com uma personalidade forte, rebelde e desfasada do tempo, Sofia quebra todas as convenções e é isso que se vai entranhando pois vamo-nos identificando com algumas das suas acções.

E Ian? Ai Ian é lindo, maravilhoso, meigo e amoroso e... ai acho que me apaixonei por mais um personagem masculino porque ele é mesmo fantástico, compreensivo, amigo e muito altruísta. Enfim é o contrário do que costumamos ver nos personagens de livros de época o que nos dá um incentivo extra à leitura.

A narrativa é extremamente fluída, a escrita simples e tem cenas muito divertidas (algumas provocam grandes gargalhadas) porém houve uma cena em particular, já perto do fim, que me deixou a chorar violentamente, direi mesmo a soluçar e daí tenho de dizer que este livro não é aconselhável a mulheres (choronas) sensíveis e com TPM porque chorarão um rio. Aquilo que estava a ser um livro de 3 estrelas, ou seja agradável e interessante mas nada de grandioso, tornou-se de repente num livro de 4 estrelas (bastante perto das 5) que me deixou com um nó no peito. Dizer que gostei é pouco, a autora conseguiu cativar-me lentamente até chegar ao ponto de adorar a escrita, a história e as personagens. Apesar de ter um fim bastante bom este é o primeiro livro de uma trilogia por isso: venha o próximo.




Este exemplar foi gentilmente cedido pela Topseller em troca de uma opinião honesta

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