Crónicas de uma Leitora: Perdida | Carina Rissi | Opinião

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Perdida | Carina Rissi | Opinião





Perdida
Carina Rissi
Adaptação: Joaquim E. Oliveira
Título Original: Perdida
Editora: TopSeller
352 páginas










E se o amor da sua vida apenas existisse no século XIX?

Perdida é uma história divertida, apaixonante e intensa, que vai querer devorar até à última página.

Sofia é uma jovem de 24 anos que vive numa grande cidade e está habituada à sua vida independente e moderna. Divertida, mas solitária, Sofia não acredita no amor, convencida de que os únicos romances da sua vida são aqueles que os livros lhe proporcionam. 

Porém, após comprar um telemóvel novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século XIX, sem saber como ou se poderá voltar para sua casa, para o «seu» século. Enquanto tenta encontrar uma solução, é acolhida pela família Clarke, à qual, à medida que os dias passam, se afeiçoa cada vez mais. 

Com a ajuda do prestável ? e lindo ? Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba por encontrar pistas que talvez a ajudem a regressar à sua vida.

O que ela não sabe é que o seu coração tem outros planos, e que a ideia de deixar o século XIX pode vir a tornar-se angustiante?


Não é o primeiro livro que li de Carina Rissi, há 2 anos ou mais li Procura-se Marido e pela história, tenho quase a certeza que já tinha lido Perdida, porque nada do que foi escrito me foi estranho. 
A net é um mundo.

Por onde começar, acho que o vou fazer pelas melhores partes... A história e Ian.
A história cativou-me desde o início, não sei se gostaria de viver o mesmo que a protagonista, não falo em ter um Ian na minha vida mas voltar aos anos em que "os animais falavam". 
Não sei mesmo, não me parece que iria gostar!
Sofia é uma jovem mulher, louca por tecnologia, que de um momento para o outro se vê no século XIX, e terá que reaprender a viver sem o que à partida temos como garantido nos nossos dias, luz, água canalizada e todo o role de "conforto" que estamos habituadas.
Gostei também de ver a adaptação do Ian a uma mulher complemente fora do seu tempo e da sua realidade, houve um momento que achei que ele procedeu mal mas quem não o faria. Assim como houve um momento que não me transformou em Madalena arrependida por sorte mas tive perto, muito perto.
Ian é um protagonista que nos rendemos a ele, como não gostar dele, impossível. Meigo, fofo, gentil, cavalheiro mas muito apaixonado, assim como Sofia não consegue deixar de ser quem é, só porque está no passado, ele age como um perfeito cavalheiro da época, acho que ainda melhor do que muitos cavalheiros da época.

Vou agora para a parte que mexeu comigo, começo pela Sofia... Não a personagem, porque a maior parte das vezes eu compreendia e até faria o mesmo, quem é que vivendo nos dias hoje, não tem opiniões formadas e não está habituada a dizê-las? Quem nos nossos dias se preocupava ou não em dizer o que pensa, sabendo que a nossa estadia tem tudo para ser provisória, não eu. Não teria nada a perder, não pensem que não gostei da Sofia, gostei... Gostei da sua frontalidade, de não ter deixado de ser quem é, só porque não se enquadrava naquela sociedade, de ter aprendido a amar um homem tão diferente, com uma educação tão distinta à sua, gostei dela a sério mas... mas... O calão...
Sabemos e eu que já visitei o Brasil por 4 vezes, que usam muito o calão, "bacana" fica melhor que o "fixe", não estou a ver qual o calão que se usa no Brasil para "baza" mas... o nosso calão é tão, tão, tão mau... 
"Transa" soa melhor que o "eco" da "panqueca", porquê utilizar??? Sei que usando a personagem calão brasileiro, o calão português teria que ser usado mas o texto fica tão rude, o nosso português não tem "açúcar". Cheguei a perguntar-me se eu com 24 anos usava aquele palavreado e a resposta foi... não! Aqui se vê a diferença entre as duas culturas mesmo com a adaptação para o "nosso" português.
Outro ponto... tive acesso ao livro original, e estou ainda a perguntar-me porque é que o "adaptador o texto", passou algumas vezes a palavra "pouco" para "bocado" ou "bocadinho"? Cheguei a encontrar na mesma página 3 "bocados" ou "bocadinhos", admito que "mexeu" comigo, assim com o uso do "obrigadinha", quando a autora escreveu "obrigada"... Há necessidade de mudanças tão "drásticas"? Não é a mesma língua? Não me fez confusão quando li naquela situação o "obrigada" ou o "pouco", não tirou sentido à frase!
Vi uma pequena gralha e uma frase que fiquei... Como, se tem a menina, porque depois tem a jovem? 
"A menina deu-me um susto, minha jovem."... Posso ter sido picuinhas mas... Achei que faltou uma revisão ao livro, na minha modesta opinião!

No geral a leitura correu bastante bem, a início é um livro que estranhamos, principalmente quando sabemos à partida que é uma autora brasileira, mesma língua, para depois nos entranhar de uma determinada maneira, que não conseguimos parar de ler! Ainda estou a pensar se pego no próximo original ou se espero pela TopSeller, quem sabe se pergunto à editora quando lançam o segundo.

Conclusão, recomendo o livro e esqueçam que a autora é brasileira, porque se não o fizerem podem andar à caça de cabelo, na cabeça de um careca!

Boas leituras.


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