Crónicas de uma Leitora: O Número das Estrelas | Lois Lowry | Booksmile | Opinião

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O Número das Estrelas | Lois Lowry | Booksmile | Opinião


 Estamos em 1943. Para Annemarie, a vida em Copenhaga passa-se entre a casa e a escola, dificultada pela escassez de comida e pela presença constante de soldados nazis nas ruas. A coragem parece uma virtude distante, apenas ao alcance dos cavaleiros das histórias de príncipes e princesas que Annemarie conta à irmã Kirsti, antes de ela adormecer.

Quando as tropas alemãs intensificam a campanha para «transferir» todos os judeus da Dinamarca, os pais de Annemarie acolhem Ellen, a sua melhor amiga, fingindo que têm três filhas. As meninas vivem como irmãs até ao dia em que se torna evidente que algo mais precisa de ser feito para salvar Ellen e a respetiva família, assim como os restantes judeus da Dinamarca.
​ 
Vista pelos olhos de uma menina de 10 anos, esta é uma história baseada em factos reais que conta os esforços da Resistência dinamarquesa para salvar todos os judeus do país - perto de 700 mil pessoas -, fazendo-os atravessar o mar até à Suécia.
​ ​
Um livro recheado de esperança e heroísmo, que nos mostra como a solidariedade é possível, mesmo em tempos de guerra e horror.​
Há muito tempo decidi não ler livros cuja acção se passasse durante a 2.ª Guerra Mundial, nada justifica uma guerra, a luta pelo poder e/ou pelos bens de outrém porém a 2.ª Grande Guerra tem para mim uma conotação diferente e mais horrível, não sei explicar já que a barbárie continua a prevalecer e os horrores daquela época continuam a reproduzir-se em larga escala pelo mundo todo. Vivemos em constante guerra e é tema de abertura de quase todos os telejornais e está patente em todos os sites noticiosos, não fico indiferente, porém por alguma razão a 2.ª Guerra é a que me dá mais calafrios. Pensei para comigo que um livro infanto-juvenil não deveria ter a mesma carga dramática, que deveria ser mais leve e que provavelmente não me comoveria tanto e estava certa, claro, porém não se pode fugir ao tema e vamos invariavelmente ter que lidar com o trauma que a guerra deixou em quem passou por ela.

Vamos acompanhar uma pequena parte da vida de Annemarie e da sua amiga judia Ellen e é impossível ficar indiferente que duas crianças de 10 anos tenham perdido parte da sua infantilidade com algo tão aterrorizador. A acção passa-se na Dinamarca e o livro dá-nos várias informações sobre como a guerra afectou este país e a sua população, estamos dentro de uma lição de história e também uma lição de vida. Começamos por ter um vislumbre do seu dia a dia e logo de seguida vemos a perseguição aos judeus, a posição dos soldados alemães, a força da Resistência. De forma simples a autora mostra aos mais novos a vivência de uma criança em tempos conturbados e a forma enfrentavam alguns problemas, o estoicismo de Annemarie toca profundamente o coração do leitor. Apesar de não ser uma história real todos os factos relatados no livro podem ter acontecido já que tanto Annemarie como a sua vida é baseada em histórias que uma amiga de Lois Lowry lhe contou.

Assim que terminei este livro coloquei-o na mão da minha filha mais velha e disse-lhe "lê este" mas talvez do alto dos seus 14 anos ache que é demasiado crescida para ler um livro para classificado para 10+, espero que não e que quando o ler perceba algumas coisas que as mães costumam tentar ensinar aos filhos e nem sempre conseguem que eles percebam.

Com uma linguagem bastante simples e acessível a autora leva-nos para uma numa viagem pela Dinamarca durante a 2.ª Guerra Mundial, deixando-nos completamente viciados na história e a vibrar com as acções da pequena grande protagonista.

Este é um livro que será religiosamente guardado para que as crianças cá de casa leiam pelo menos uma vez (e os crescidos também). 




Este exemplar foi gentilmente cedido pela Booksmile em troca de uma opinião honesta.

Sem comentários:

Enviar um comentário