Crónicas de uma Leitora: O Homem da Areia de Lars Kepler [Opinião]

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O Homem da Areia de Lars Kepler [Opinião]





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Jurek Walter é um dos assassinos em série mais perigosos e mortais do mundo, um psicopata tão sinistro e tão inteligente como Hannibal Lector. Embora esteja há mais de uma década encarcerado na ala psiquiátrica de um hospital de alta segurança, a Polícia jamais conseguiu desvendar os seus crimes e descobrir o paradeiro das suas inúmeras vítimas. No entanto, quando o jovem Mikael Kohler-Frost, supostamente morto há mais de sete anos, é encontrado a vaguear numa ponte ferroviária, hipotérmico e às portas da morte, o comissário Joona Linna vê-se obrigado a reabrir o caso e a aproximar-se do homem que o privou da sua família, o homem que, mais do que tudo, o deseja morto.

À medida que as investigações avançam, o perigo adensa-se e torna-se imperativo entrar na mente do perigoso assassino, antes que o tempo se esgote…

Tendo já alcançado um tremendo sucesso internacional, O Homem da Areia é o quarto livro da série que tem como protagonista o comissário Joona Linna e que já vendeu mais de 4 milhões de exemplares em todo o mundo.


Lars Kepler tem vindo a conquistar-me com os seus quatro livros, especialmente de forma incondicional com A Vidente e agora com o fantástico o Homem da Areia. Desde a sua publicação que me encontrava em ânsias para o ler, mas uma vez que a vontade e a possibilidade nem sempre andam de mãos dadas, apenas consegui ler este livro no mês de Julho, de forma ciclónica e numa velocidade para além do recomendado.


O livro anterior de Lars Kepler tinha-me seduzido devido ao ambiente instituicional de um Centro de Acolhimento, em O Homem da Areia encontramos novamente um ambiente institucional sob a forma de uma Unidade de Alta Segurança de Psiquiatria Forense, onde se encontra institucionalizado o maior serial killer da Suécia, Jurek Walter, detido há 13 anos pelo inspetor Joona Linna e seu colega. Logo no início da obra, é atribuída a este personagem caraterísticas algo sobrenaturais, muito semelhantes a Hanibbal Lector no filme original «O Silêncio dos Inocentes» no qual o poder da mente do criminoso poderia levar o comum dos mortais a cometer os atos mais horripilantes. A trama sofre uma reviravolta extrema aquando do inesperado surgimento de uma das vítimas do psicopata, vítima esta que se encontrava desaparecida com a irmã há 13 anos e que, durante todos esses anos não houvera qualquer notícia ou indício do que teria acontecido.

Após o aparecimento de Mikael, somos confrontados com vários flashbacks aquando da captura de Jurek Walter. Joona Linna acreditava que um sem número de desaparecimentos com a caraterística única de serem constituídos por diversos membros de várias famílias, estavam de alguma forma interligados a um único serial killer. Quando os seus superiores consideraram o desaparecimento de Mikael e Felícia como um eventual acidente, no qual as crianças haviam caído ao lago e os corpos arrastados pela corrente, Joona Linna continuou a basear-se na sua teoria, acabando por provar a mesma aquando a captura de Jurek… mas, assim sendo, por que motivo a família de seu colega acabou toda por desaparecer tal como a previsão efetuada por Jurek? O medo do mesmo acontecer com sua família foi tanto que Jonna é obrigado a tomar a escolha mais difícil de sua vida…

Aquando o aparecimento de Mikael torna-se impreterível encontrar a irmã do mesmo, uma vez que Mikael afirma que a irmã se encontra viva. No entanto o mesmo não faz ideia do local onde se encontra a «cápsula» onde o Homem da Areia os tinha aprisionado. Assim sendo, a personagem de Saga Bauer é trazida à trama, colorindo-a de forma ainda mais densa, ao ser internada na Unidade de Alta Segurança de Psiquiatria Forense, para se aproximar de Jurek Walter…

Uma nota para o facto de O Homem da Areia corresponder, de alguma forma, ao nosso João Pestana, embora acredite piamente que se um autor escrevesse um livro intitulado João Pestana, tivesse a mesma carga maléfica, tétrica e surpreendente que O Homem da Areia teve, desde a primeira ao último parágrafo. Este livro deixa-nos completamente em suspenso, sem saber o que acontece com a personagem principal… Esperemos não ter que aguardar por mais um ano para a edição do próximo volume. Este é realmente um autor (es) a seguir, que nos consegue conduzir de forma absolutamente magistral às mentes mais retorcidas de certos psicopatas, bem como à do homem comum, que embora não o aparente, tem mais a ver com um psicopata do que alguma vez imaginamos.

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