Crónicas de uma Leitora: Fusão | Julianna Baggott | Opinião

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Fusão | Julianna Baggott | Opinião

Partridge é um Puro. Escapou incólume às detonações atómicas destinadas a exterminar grande parte da humanidade porque pertencia à elite protegida no interior da Cúpula. Os restantes que no exterior conseguiram sobreviver às explosões, ficaram deformados com mutações terríveis. Contudo, Partridge decide abandonar o mundo seguro da Cúpula para viver com os mutantes. E agora essa elite, sob as ordens de Willux, pai do jovem, desencadeia uma aterrorizadora operação para o obrigar a regressar.

Porém, ele sabe que pode contar com o apoio dos seus companheiros: Pressia, a jovem determinada a descobrir os segredos do passado; Lyda, a guerreira; Bradwell, o revolucionário; e por fim El Capitan, o guarda. Juntos organizam um grupo de guerrilha para pôr termo a um plano secreto e diabólico que está a ser arquitetado pela elite científica da Cúpula. Se conseguirem vencer, milhares de vidas serão salvas mas, se falharem, a humanidade irá pagar um preço demasiado elevado. 
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Nem sempre é fácil escrever a opinião de um segundo livro de uma trilogia já que pusemos tantas emoções na opinião do primeiro que é difícil achar as palavras necessárias para descrever o seguinte. Antes de começar a escrever este texto fui reler a opinião de Puros (podem ler aqui) e percebi que quase tudo o que queria dizer sobre Fusão está lá, o choque perante o horror das descrições, o deslumbramento pela escrita viciante da autora. Poucas emoções mudaram de uma leitura para outra.

O estilo da narrativa mantém-se, vamos alternando entre as várias personagens apesar de ser sempre na terceira pessoa, temos perspectivas de várias acções em simultâneo, há várias "frente" activas na luta contra a Cúpula e na defesa dos sobreviventes das detonações.

O acesso a informações cruciais é constante e sentimos que nunca temos pausas, há sempre algo a acontecer, pessoas a movimentarem-se, tornando a leitura densa e mais demorada que poderíamos pensar apesar da sua cadência rápida, mas como cada detalhe é fundamental não é possível ler Fusão a um ritmo dito normal. Porém, e é isso que torna a escrita de Baggott tão empolgante, não temos a sensação de "demasiada informação" vem tudo no tempo certo, dando ao leitor a sensação de acção contínua.

Gostei de rever os personagens e perceber que eles próprios vão mudando consoante o meio que os rodeia e os perigos que têm de enfrentar. Há dois momentos em particular que farão toda a diferença para o terceiro e ultimo livro e que me deixaram ansiosa pelo final, perceber como a autora conseguirá atar todas as pontas soltas que são mais que muitas. O facto de termos uma perspectiva maior das Mães foi muito interessante, em Puros achei que elas mereciam mais destaque e aqui pudemos vê-las melhor, principalmente a Mãe Hestra, dando mais um pouco de informação do tempo antes das detonações. Paralelamente vamos tendo um pouco mais de romance entre dois casais, algo que não tivemos em Puros mas fica-me a ideia que o foco da trilogia não é tanto o romantismo mas a luta contra a Cúpula.

Mais uma vez ficou o sentimento que estes livros não se deverão ler de ânimo leve são muito intensos com descrições fortes mas têm uma história muito boa, com personagens fortes, verdadeiros guerreiros lutando contra um sistema opressor e destrutivo. Se gostaram de Puros não podem perder Fusão.






Este exemplar foi gentilmente cedido pela Editorial Presença em troca de uma opinião honesta

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