Crónicas de uma Leitora: John e George, de John Dolan [Opinião]

quarta-feira, 3 de junho de 2015

John e George, de John Dolan [Opinião]




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Sinopse

Esta é a incrível história de vida de John Dolan, um famoso artista de rua londrino que deve a sua felicidade à profunda amizade que o une a George, um bull terrier muito especial que o salvou de uma existência sem sentido e profundamente autodestrutiva.

Durante muitos anos, John conheceu um quotidiano duro e completamente desprovido de esperança, chegando mesmo a viver nas ruas como sem-abrigo, até ao dia em que lhe pediram para ficar com George. Este seria o ponto de viragem na sua vida.

John recuperou um talento há muito esquecido, o desenho, e é hoje um dos artistas de rua mais conceituados de Londres. John e George é a história real e surpreendente de um homem que trocou as voltas ao destino graças a uma verdadeira e comovente relação de amizade.

«George é a razão pela qual abandonei a rua. A razão pela qual faço desenhos. Devo-lhe tudo.» John Dolan



Hoje vou ficar um pouco lamechas, aviso já os menos dados às emoções que nem vale a pena torcerem o nariz. Antes de mais uma confissão: Eu acredito seriamente em anjos, tenham eles asas ou sejam eles familiares nossos que nos amaram e partiram. E com esta revelação posso afirmar sem sombra de dúvida que George, foi o anjo da guarda de John. Sem ele, provavelmente Jonh continuaria a viver o seu dia a dia à margem da família, nas ruas, mendigando, roubando e perdendo-se no que seria o resto da sua curta vida. Acredito que sem George, John dificilmente teria conseguido sobreviver por muito mais tempo.

Esta é uma estória de redenção, do encontro daqueles que se julgava nunca mais reencontrar (a família de John), das novas e mais improváveis amizades, do amor incondicional de um dono por seu cão, colocando-o sempre em primeiro lugar, deixando para trás o egoísmo, a preguiça e a vida que já levava por mais de 20 anos...«Na altura em que George apareceu na minha vida, eu já tinha um cadastro de mais de trezentas condenações e trinta estadas na cadeia.»

O animal que foi vendido por uma «cerveja forte» acabou por se dedicar a John daquela forma caraterística de muitos animais, amando sem reservas, confiando, acompanhando. No momento da vida do autor, George acabou por ser o clique necessário para condicionar uma série de mudanças em John, uma vez que pela primeira vez em décadas, colocou alguém à frente de si próprio, pensou e amou George como seu próprio filho... Um certo dia John foi interpelado por uma mulher para vender George, a resposta dele foi deveras fantástica: «O que eu quero dizer é: como se sentiria se lhe perguntasse se podia comprar um dos seus filhos?»

Este é um livro que nos faz pensar em como poderia a vida das pessoas ser diferente, se um simples animal fez a diferença, apenas dando amor e provocando no outro a mesma emoção, não estaremos hoje em dia a dar demasiada importância a coisas em prol daquilo que realmente interessa? Uma consola, um tablet, um leitor de dvd farão nossos filhos tão felizes quanto a companhia de um animal de estimação? Ensinarão tanto como o saber cuidar/acarinhar/amar aquele cão ou gato ou outro animal qualquer?

Perdoem-me se fugi um pouco à opinião pretendida ou esperada, mas este é realmente um daqueles livros que ao terminarmos, nos faz olhar um pouco mais além e perguntar o que poderíamos fazer mais por aqueles nossos amigos de quatro patas ou duas patas!

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