Crónicas de uma Leitora: Alvorada Vermelha | Pierce Brown | Opinião

terça-feira, 12 de maio de 2015

Alvorada Vermelha | Pierce Brown | Opinião


Para mais informações sobre Alvorada Vermelha, consulte o site da Editorial Presença aqui

Há um ano comecei a namorar este livro, na altura ainda em inglês, desejava vê-lo por cá mas tinha algumas dúvidas que chegasse tão depressa. A Editorial Presença surpreendeu-me pela positiva, porém algo me fez perder o interesse, achei que talvez nem fosse assim tão bom (uma amiga tinha-me dito que não o achava nada de especial) e fui desmotivando. Até que bati o pé e decidi que queria mesmo muito lê-lo e pedi um exemplar de leitura à editora que gentilmente o cedeu e, meus amigos, que aposta fenomenal. Primeiro enquanto li este livro sonhei com ele todas as noites, coisa que me acontece quando estou completamente viciada na leitura, segundo este foi um dos livros mais intensos que li nos últimos tempos.

Alvorada Vermelha é o primeiro livro de uma trilogia distópica que apesar de se passar a centenas de anos no futuro (não se sabe ao certo quanto mas apostaria em mais de um milénio tendo em conta que Marte está no inicio do livro colonizado há 700 anos) encerra nas suas páginas várias criticas sociais. A opressão do povo, a democracia entretanto abolida, a guerra, a tirania de quem está no governo, as diferenças entre as classes sociais, a política, enfim Pierce Brown consegue tocar pontos chaves da nossa sociedade apontando os podres que vão consumindo a humanidade.
"Os Estados Unidos da América implementaram pela força esta ideia de igualdade. E, quando as nações se uniram, os Americanos ficaram surpreendidos ao descobrirem que ninguém gostava deles."
Confesso que por vezes a linguagem me desagradou de alguma forma, várias palavras criadas pelo autor principalmente junção de duas palavras como facaFoice mas nem por isso me tirou o prazer da leitura. Dei comigo muitas vezes surpreendida com o facto do autor em apenas 400 páginas ter escrito uma história interessante e rica em detalhes que se passam em três partes distintas completamente entrelaçadas de modo que já perto do fim recordamos todo o percurso de Darrow e pensamos como é possível aquele personagem ter passado por tantas coisas em tão pouco tempo.
 
Darrow é o nosso protagonista, quando inicia a narrativa tem 16 anos mas perto do final ele refere que já teria feito 18 anos terrestres ou seja passam-se dois anos durante a história mas vamos vendo um amadurecimento de convicções e ideias, a forma como se transforma num estratega, muitas vezes agindo por tentativa e erro mas sempre com um objectivo em mente.

Ler Alvorada Vermelha assemelha-se muito à experiência de ver um filme, conseguimos visualizar os cenários que o autor criou na nossa cabeça com uma nitidez quase assustadora (e o melhor é que haverá mesmo filme, deverei ficar nervosa com a adaptação?). Conseguimos perceber as diferenças entre as classes sociais mas também perceber que entre a classe tirana há boas pessoas capazes de feitos formidáveis, queremos que os Vermelhos vençam mas que nem todos os Dourados sofram, criamos empatia com as personagens, vibramos com os acontecimentos que se vão desenrolando, enfim um livro verdadeiramente surpreendente.

Pierce Brown mostrou que é mais que uma carinha bonita (sim minha gente o autor é um borracho) é também um verdadeiro contador de histórias que nos envolve e embala, fazendo-nos vibrar a cada página, a cada acontecimento a cada pedaço de informação que vai introduzindo, de forma magistral, na acção.

Red Rising ou Alvorada Vermelha é possivelmente o melhor primeiro livro de uma trilogia distópica que já li e está entre uma das melhores leituras do ano.



2 comentários:

  1. "é possivelmente o melhor primeiro livro de uma trilogia distópica que já li" - agora fiquei curiosa :D
    Assim que poder vou adquirir :)

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  2. Concordo plenamente, e estou anciosa que a editora Presença coloque à venda os restantes livros da triologia :)

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