Crónicas de uma Leitora: Contos inomináveis| Robert E. Howard | Opinião

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Contos inomináveis| Robert E. Howard | Opinião


Contos inomináveis
Robert E. Howard
256 páginas
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Robert E. Howard é hoje mundialmente conhecido como o criador de personagens incontornáveis da fantasia como Conan, o Bárbaro ou Salomão Kane. O que muitos desconhecem é o facto de ter existido uma correspondência regular entre os amigos H. P. Lovecraft e Howard, o que terá levado este último a criar contos memoráveis de horror inspirados no mito de Chtulhu.

Os contos lovecraftianos de Robert E. Howard são aqui apresentados numa coletânea onde dominam criaturas que habitam os cantos mais recônditos e negros da Terra, criaturas inomináveis saídas da imaginação de um autor que foi também uma grande influência nos principais mestres de horror. Entre nas ruelas e mansões sombrias de Robert E. Howard e mergulhe na loucura de Chtulhu. Se tiver coragem.


Oh dear here we go. Ok, eu não posso culpar a sinopse porque quem a escreveu conhecia bem o estilo de escrita do Robert E. Howard nesta colectânea e a seguinte frase resume muito bem os meus sentimentos pelo livro. “Numa coletânea onde dominam criaturas que habitam os cantos mais recônditos e negros da Terra.”, então a ver isto? Agora imaginem que todos os contos são escritos assim, só através do narrador a dizer-nos as coisas com algum diálogo e em muitos onde a personagem principal tem zero personalidade. 

Pessoalmente, ao início pensei que estava a perder simbolismos ou temas. Por norma não é algo que me passe ao lado por isso, ao inicio foi uma leitura muito frustrante, até que acabei de desistir de encontrar temas e simbolismos profundos e simplesmente foi uma leitura aborrecida. I should have known, devia de ter lido a sinopse para saber que era má ideia eu ler algo related ao Lovecraft. Eu não gosto do Lovecraft. Gosto dos temas dele, mas não consigo gostar do estilo de escrita. Contos inomináveis são contos que parecem fanfiction de Lovecraft and that is fine. A sério, adoro o facto de a Saída de Emergência apostar em autores que fundaram a pulp e ajudaram este género a evoluir. 

A tradução é competente, tem diversos tradutores que fizeram um bom trabalho, mas nota-se tanto que estes contos foram escritos antes da 2º guerra mundial. Coisas que se passam que até nem são nada de terror, o narrador trata como se fosse o pior crime do mundo e em parte adorei essa inocência. Mesmo livros escritos depois da 1º guerra mundial nota-se uma relativa perda de inocência, mas estes foram maioritariamente escritos para entreter e acho que nota-se um pouco isso. Só que em pleno século XXI não é um conto com “tell” onde shows como as Powerpuff girls têm mais violência que nos vai entreter. Tem valor enquanto leitura para os fãs? Sim. É sempre bom podermos ter acesso aos primeiros autores da pulp em português e tem valor enquanto testemunho do que a pulp foi e o que nos influenciou até os dias de hoje. 

Tal como imensos clássicos que já sofreram com o tempo mas que ainda têm valor nos dias de hoje, Contos inomináveis é mais para os fãs da pulp ou de Lovecraft. Para aqueles que não gostam de contos com “tell” e personagens tipo não é uma leitura que eu aconselharia. 
Este fica na estante para um dia mais tarde. Quiçá a idade avançada fará com que tenha um ataque de nostalgia.




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