Crónicas de uma Leitora: Possessão de J.R. Ward [Opinião]

sábado, 4 de outubro de 2014

Possessão de J.R. Ward [Opinião]

Sinopse:
Quando Cait Douglass decide recuperar do seu desgosto de amor, despojar-se das suas inibições e começar realmente a viver, não está preparada para os dois homens sensuais que se atravessam no seu caminho. Dividida entre eles, não sabe qual escolher - ou que tipo de consequências terríveis podem surgir. Jim Heron, anjo caído e salvador relutante, está na guerra mas coloca tudo em risco quando tenta fazer um acordo com o diabo - literalmente. Quando mais uma alma é involuntariamente apanhada na batalha entre ele e o demónio Devina, a sua fixação numa inocente presa no inferno ameaça desviá-lo do seu dever sagrado... Pode o bem ainda prevalecer se o amor verdadeiro enfraquece um salvador? E será que o futuro de uma mulher é a chave, ou a maldição, para toda a humanidade? Só o tempo, e os corações, dirão.  


Adoro esta saga dos Anjos Caídos de J. R. Ward e saber que só faltam 2 livros para terminar a série deixa uma certa ansiedade no peito e uma vez que em inglês já saiu o último livro eu poderia ir a correr ler mas prefiro assim, ir saboreando as nossas edições portuguesas. Por falar nisso viram a capa original deste livro? Assim que a vi a primeira ideia que tive foi "mas isto é um mangá ou quê?" mesmo feia, por isso fiquei muito satisfeita com a escolha da Quinta Essência apesar de fugir um pouco ao estilo das anteriores. Confesso desde já que dei apenas 3 estrelas quase a roçar as 4 mas ainda assim não chegou lá, vejamos então porquê...

Antes demais deparamo-nos com um Jim Heron distraído, totalmente desviado do objectivo original com atitudes que colocam em risco todo o seu papel de salvador. Completamente perdido, sem foco é enganado e quase ridicularizado. Foi deprimente ver o seu comportamento ao longo de todo o livro e não digo isto no mau sentido porque se pensarmos bem é interessante ver uma autora a mudar radicalmente o rumo da história, fazendo com que o protagonista se perca e nos faça duvidar das suas capacidades, acaba por humanizá-lo um pouco mais.

Sissy é uma personagem que me surpreendeu pela positiva, mostra-se determinada, proactiva, mais mulher que a menina de 19 anos, a estadia no inferno apesar de ter durado apenas 2 semanas pareceram séculos e endureceram-na, amadureceram-na e moldaram-na levando-a a querer agir contra o demónio que a assassinou.

Devina é sem dúvida nenhuma a melhor personagem desta série, não há como não adorar um demónio com um disturbio obsessivo-compulsivo que a leva ao psicólogo e a aulas de ioga, os seus pensamentos assassinos durante as sessões são hilariantes fazendo-nos soltar grandes gargalhadas. Porém não são apenas estas cenas que nos fazem adorar esta personagem, as suas artimanhas e manipulações são geniais mas é afectivamente que ela se destaca, os sentimentos que nutre por Jim são-nos transmitidos de forma autêntica e apesar dos abusos por ela perpetrados conseguimos perceber que está verdadeiramente apaixonada o que é algo desconcertante.

Ward conseguiu num rasgo de genialidade dar várias reviravoltas à trama cada uma mais chocante que a anterior e apesar de nos parecer que estamos perante duas ou três histórias diferentes ao longo da leitura no final tudo converge para o ponto crucial da narrativa. 

A linguagem crua a que estamos acostumados na autora aliada à rapidez com que as cenas se sucedem levam a que consigamos avancar rapidamente no livro. As páginas voam enquanto queremos saber mais, principalmente porque o casal à volta do qual a acção se foca é interessante, envolvente até e apesar de toda a acção "angelical" que se desenrola à sua volta a interacção dos dois (ou direi dos três) é extremamente apelativa, ficamos constantemente com uma questão na nossa mente "Duke o G.B.?" eu confesso que torci desde o inicio pelo Duke, parece-me que tenho queda para os badboys. 

No meio de tudo isto, houve apenas um ponto negativo para mim, a alma a ser salva, por uma série de razões mas principalmente porque no geral acho que não merecia sequer ter sido escolhida (isto apesar do historial das almas anteriores). Não poderei desenvolver este ponto pois estaria a dar pistas sobre quem é a alma mas acho que é um ponto que leva de certo modo à reflexão. Poderia no mundo tal como o conhecemos alguém com estas caracteristicas ser salvo? Poderia o seu comportamento de alguma forma ser redimido? Haveria alguma maneira de fazer parar o comportamento desviante? Seria de todo possível corrigir-se e perdoar-se?

Concluindo, considero-o um excelente livro apesar de ser até agora o mais fraco por uma série de questões que não poderei referir pois seria um spoiler enorme contudo quem acompanha a série quererá de certeza ler Possessão e quem vai iniciar a série não se sentirá intimidado por um livro menos bom que os anteriores.

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