Crónicas de uma Leitora: [Cinema] Sangue quente - especial Halloween

sábado, 18 de outubro de 2014

[Cinema] Sangue quente - especial Halloween




Ah Warm Bodies, o filme que conseguiu enganar todos os homens a irem assistir ao cinema por pensarem que iam ver zombies e mortes e sangue… Well, they did see that! Enquanto as namoradas provavelmente estavam mais a suspirar pelo Nicholas Hoult mesmo repleto de maquilhagem e lentes. Pessoalmente arrastei o meu namorado comigo porque o livro é muito bom! 
I don’t care se as pessoas dizem: ah mas os zombies não são os típicos zombies. Well, screw that! Warm bodies é um livro para adolescentes que passa mensagens universais e valores com humor, so yeah fui ao cinema com fingers crossed para que não fosse um flop! Senti como se estivesse a reler o livro, mas desta vez com estímulos visuais. Para além de uma adaptação fiel, as expressões faciais e corporais de Hoult possibilitaram a conexão personagem-espectador sem a mestria da escrita de Marion. Para além de imensas frases quotable em qualquer situação, pega em todas as dúvidas e sentimentos que temos e embrulha-os numa história de amor e redenção sem se tornar demasiado cheesy e com uma boa dose de risadas.

Warm Bodies não é daqueles filmes que vemos e dizemos: uau isto vai ganhar um Óscar, mas para além de entreter consegue conferir humor algo inteligente às personagens que são bem mais do que zombies, corpos que se movem de um lado para o outro. Se notarem, o autor Isaac Marion, dedica a sua obra na maioria a convencer-nos que os zombies são criaturas adoráveis que comem cérebros porque senão morrem… At least they feel bad for it! Para criaturas mortas-vivas, os zombies de Marion apresentam muitas características dos “vivos”, até porque como vão ver mais à frente embora o coração seja utilizado visualmente como símbolo de emoção, é o cérebro que é o símbolo mais multifacetado.




Começamos com a personagem principal a falar sobre a sua morte como zombie. R é uma raridade num mundo pós-apocalíptico. Embora não saiba se há outros como ele, sente que é diferente. Vive no aeroporto e é o típico adolescente se estivesse vivo. Apresenta constantemente conflitos de sentimentos e tem um discurso típico de pessoas da sua idade: Porque é que sou tão estranho? Quem sou eu? O que vou fazer com a minha vida? A forma como R consegue combinar frases profundas e filosoficamente interessantes com humor e tiradas sobre a vida de um zombie é uma mais-valia para o filme se tornar numa lufada de ar fresco dos filmes adaptados de romances Young adult. 



O facto de ter um amigo e estar constantemente a transmitir-nos os seus pensamentos confere-lhe uma certa humanidade. Afinal os zombies de Marion não são criaturas tipo Resident Evil, mas sim seres humanos infectados que ainda não perderam a sua actividade cerebral, simplesmente estão um bocado encalhados. Para além disso, R tem imenso sentido de humor e critica bastantes vezes o que se passa em seu redor ou então as falhas que os zombies apresentam: God, we move slow! O mais engraçado é que ele é uma das personagens do movimento Young adult com mais personalidade. Normalmente estamos habituado a ver escolhidos ou adolescentes na onda do Twilight e R embora tivesse todos os ingredientes para ser uma personagem desinteressante, acaba por ser extremamente “likable” e mesmo o espectador não consegue ficar indiferente ao seu charme.
Quando um livro é muito bom, há sempre a chance de a adaptação cinematográfica ficar atrás, contudo no filme continuamos a assistir às questões de identidade, de dúvidas que assolam os zombies ao invés de dar o ponto de vista aos humanos. Todos nos questionamos o que será dos humanos num mundo com zombies, mas não se preocupam com o que é dos zombies num mundo cheio deles e com poucos humanos (discriminação!!). 
Talvez sejamos um pouco egoístas e seja mais interessante acompanhar uma forma mais humana e realista de mortos-vivos e talvez seja por isso que Warm bodies é tão bom. Porque apesar de tudo nenhuma personagem perde totalmente a sua humanidade.

Safe, I will keep you safe




A relação entre R e Julie começa um pouco conturbada, mas há algo de cavalheirismo nele que leva a proteger Julie de tudo. Dos zombies, dos bonies até mesmo dele próprio e da sua condição. O casal troca poucas palavras no início, apenas que ele tem de a manter a salvo e protege-la. Dado que estamos num mundo rodeado por zombies, vamos esquecer por um momento o orgulho de damsel in distress. Julie é salva por R bastantes vezes, mas é normal quando metade do mundo quer comer os nossos neurónios! O facto de Julie não ser fraca ajuda a que se entenda a sua posição. Ela é aventureira, corajosa e tem um bom coração, , tem um bom coração e claro é sempre bom quando o homem mesmo sendo um zombie mostra que gosta dela o suficiente para a ajudar. Os dois acabam por ser apaixonar devido à personalidade bem mais do que o aspecto ou até condição social….
 If we can call it that! I mean, relações entre vampiros e humanos, ok levam umas dentadas mas nada demais, agora entre um zombie e uma pessoa viva… A coisa pode virar agressiva. R tem uma postura que leva qualquer mulher a suspirar e qualquer homem a rir-se com as suas observações mordazes. Julie tem de ver para além das aparências e seguir neste caso mais o coração do que o cérebro, porque esse diz para ela fugir o mais depressa que pode… mesmo que isso nunca corra bem.

O cérebro comanda o coração


Por entre todos os símbolos que são utilizados, o cérebro é aquele que mais vezes aparece e mais associações tem. Quando um zombie ataca uma pessoa se não lhe come o cérebro essa pessoa renasce como zombie. No entanto se comer, o zombie adquire as memórias dessa pessoa. R admite que para além de deliciosos, os miolos e as memórias fazem-nos sentir humano e vivo outra vez. De início vemo-lo um bocado cinzento com pouca motivação para falar, contudo depois de se alimentar consegue dizer frases que fazem sentido. 
Embora seja utilizada visualmente a imagem de um coração a bater, este só funciona assim devido a memórias que são activadas. A partir do momento em que os zombies conseguem recuperar alguma da sua humanidade, a sua actividade cerebral melhora constantemente e conseguem raciocinar. O próprio R consegue ter repostas inteligentes e elaborar planos.
A relação semi-amorosa entre R e Julie ultrapassa a racionalidade, no entanto ambos encontram-se quase sempre em conflito de sentimentos e o racional. R está sempre a pensar em tudo, no que fazer, no que não fazer, ao passe que Julie só pensa em sobreviver.

Ele bem que tenta....

Warm bodies é um filme completo que poderá não agradar aos fãs hardcore dos zombies tipo Walking dead, mas que confere uma abordagem fresca e mais humana do que o habitual. A review do filme serve perfeitamente para o livro, visto ambos focarem-se nos mesmos temas e nas mesmas questões filosóficas. Para nos alegrar, é dos poucos filmes pós-apocalipticos que não só termina com uma mensagem de esperança, como com um sentimento positivo e alegre.

Awwwwww he's adorable!

Classificação:
  • Rotten tomatoes: 80%
  • IMDB: 7.0
Curiosidades:
  • Embora R nunca se lembre do seu nome, é mais que provavel que seja Romeo, visto que começa com R e a sua amada é Julie(t). 
  • A cena da varanda tirada da história de Romeo and Juliet confirma essa teoria.



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