Crónicas de uma Leitora: NÃO DIGAS NADA, de Mary Kubica [Opinião]

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

NÃO DIGAS NADA, de Mary Kubica [Opinião]




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SINOPSE:

Um thriller psicológico intenso e de leitura compulsiva, Não Digas Nada revela como, mesmo numa família perfeita, nada é o que parece.

Tenho andado a segui-la nos últimos dias. Sei onde faz as compras de supermercado, a que lavandaria vai, onde trabalha. Nunca falei com ela. Não lhe reconheceria o tom de voz. Não sei a cor dos olhos dela ou como eles ficam quando está assustada. Mas vou saber.

Filha de um juiz de sucesso e de uma figura do jet set reprimida, Mia Dennett sempre lutou contra a vida privilegiada dos pais, e tem um trabalho simples como professora de artes visuais numa escola secundária.

Certa noite, Mia decide, inadvertidamente, sair com um estranho que acabou de conhecer num bar. À primeira vista, Colin Thatcher parece ser um homem modesto e inofensivo. Mas acompanhá-lo acabará por se tornar o pior erro da vida de Mia. 



Há qualquer coisa nos policiais que me atraem o ano todo mas que no período de férias, não me largam nem por nada. Será que é por estar mais relaxada, mais tranquila, que a minha mente necessita deste tipo de género literário para se sentir uma pouco mais «viva»? Não faço a mais pequena ideia, o que eu sei é que na passada semana, corri o Colombo em busca deste livro. Na Fnac ainda não se encontrava, a Bertrand aguardava por ele e, foi no Continente que acabei por encontrá-lo (ainda bem pois tinha pontos no cartão). Não vim com o nariz colado a ele de Lisboa à Consolação pois viemos pelo meio dos campos e eu só não enjoo a ler na auto-estrada, mas acabou por ser a minha companhia pela noite dentroooooo.

Conhecem aquele ditado, «primeiro estranha-se, depois entranha-se»? Descreve na totalidade este livro. Diferente e um tanto ou quanto estranho, o leitor pode sentir alguma dificuldade no início uma vez que os capítulos, todos eles contados na primeira pessoa, são descritos pelas vozes de Eve (mãe de Mia), Gabe (o detetive que investiga o desaparecimento de Mia) e Colin (o raptor de Mia). Apercebemos-nos que a família de Mia não é tão «perfeita» como aparenta ser, sinceramente, acho que não houve nada em parte alguma do enredo que tenha demonstrado que seria perfeita sob qualquer aspeto. Os três elementos que reportam (ou não) o desaparecimento de Mia não são capazes de estar de acordo, mantendo vidas paralelas entre os três. Nenhum deles tem uma relação de afinidade com Mia e é a mãe, Eve, a única a demonstrar preocupação pelo desaparecimento da filha, a única acreditar que algo se passa. Para Eve a filha desapareceu sob influência de terceiros, para o pai de Mia, esta não passa de uma jovem mulher irresponsável como sempre foi. Numa situação tão traumática como a participação de um desaparecimento, esta família demonstra ser desestruturara, vivendo apenas para as aparências.

O motivo deste rapto coloca o leitor sob as mais diversas suspeitas, conduzindo-nos até à última página (sim última página) para finalmente soltarmos um daqueles AAAHHHHHH de total compreensão. No entanto, no decorrer da leitura, assistimos a um desenvolvimento na relação entre Mia e Colin, de vítima e raptor para algo mais e inicialmente insuspeito. A leitura do ANTES e DEPOIS, descrita pela voz de Eve, acaba por manter o leitor preso às 336 páginas, de respiração suspensa e fazendo figas para... (não digo, não digo) tentando compreender o que realmente se passou: quem mandatou o rapto de Mia, por que motivo Colin desistiu do mesmo, que episódio traumático despoletou a perca de memória de Mia... quem é Chloe???

Se ainda não vos agucei a curiosidade garanto, este foi para mim, um dos thrillers do ano, diferente do habitual, escrito de uma forma magistral. As personagens encontram-se muito bem trabalhadas e, no meu ver, Eve foi a personagem que mais evoluiu, de larva a borboleta, de mulher bibelô a mãe leoa pronta a defender a sua cria. A relação de Eve com a filha foi sempre uma relação frágil e inexistente, causando problemas de consciência mas não a impulsionando a lutar pela mesma. Entre o que Eve gostaria de ser como mãe e o que conseguia ser, existia uma diferença abismal e, apesar da mesma se aperceber disso, nunca tivera força suficiente para o mudar.

O desaparecimento da filha acaba por colocar Eve frente a frente com a sua própria fragilidade no maior papel que deveria ter tido na sua vida; o papel de Mãe. Talvez por ser mãe acabei por criar uma afinidade com esta personagem, assistindo com um enorme prazer, à luta desta mulher pelos seus deveres e direitos face a sua filha!

A personagem de Mia, que à primeira vista seria encarada como a protagonista, acabou por deter um papel bastante secundário, não demonstra ser a lutadora que a mãe acreditava ser, nem tão pouco a rebelde que seu pai descreveu, Mia adaptou-se à situação de forma a sobreviver... No decorrer da leitura, somos apresentados a uma mulher frágil, traumatizada ao ponto de desenvolver uma dupla personalidade - Chloe, também esta pouco definida e estruturada. Mia é conduzida ao longo da trama pelos diversos personagens,inicialmente por Colin, mais tarde por Eve, tal como uma criança que necessita de ajuda em todos os seus passos, a mulher independente e segura de si é apenas uma sombra...ou talvez não!

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