Crónicas de uma Leitora: DUAS MULHERES, de Marina Cole [Opinião]

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

DUAS MULHERES, de Marina Cole [Opinião]




Sinopse

Susan McNamara nunca teve uma vida fácil, e agora quase a chegar aos trinta anos tem quatro filhos e está presa por ter morto o marido com um martelo. Nascida numa família violenta no East End, teve uma infância de espancamentos, brutalidade e incesto.

Aos quinze anos conheceu Barry, o rapaz mais popular do liceu, e a sua vida mudou para sempre. Susan não era especialmente bonita nem interessante, mas Barry seduzi-a por saber que o seu pai era um importante mafioso, e tudo o que Barry pretendia era alcançar poder e status. Casaram-se e para Susan todo o casamento foi um pesadelo. Barry batia-lhe e, lentamente, Susan começou a ver nele a imagem do seu pai até que num acto de desespero e durante uma discussão mata o seu marido.

Quando é encarcerada ao lado de Matilda Enderby, os seus destinos ficam ligados para sempre. E ninguém - e muito menos Susan - poderia adivinhar...




Acho que há muito muito tempo que não lia um livro com tantos «piiiiiiii» como este! Apesar de não ser um livro que se leia de ânimo leve, manteve-se compenetrada na sua leitura por três dias, transportando-me para a vida de Susan de uma forma visceral. Susan teve tudo menos uma vida fácil, contemplada com a falta de beleza, foi desde cedo comparada á irmã que, além de ser mais bonita, era também mais atrevida fazendo valer as suas opiniões. Susan, o patinho feio da família, foi em todos os aspetos negligenciada por ambos os progenitores, ao ponto de sofrer as mais variadas agressões de ambas as partes. Aos 1 anos apaixona-se e sonha em sair da casa dos pais acreditando que finalmente pode ser feliz… mas como já afirmam os manuais de psicologia, uma jovem vinda de um seio familiar agressivo tem mais facilidade em se apaixonar por um agressor, replicando o único modelo parental conhecido. Assim sendo, Susan passa de um agressor (pai), para outro (marido), iniciando em tempo de namoro e culminando de forma totalmente perversa, em plena noite de núpcias!

Este não é de forma alguma, um livro fácil de ler, acho que passaram por minha cabeça várias formas de tortura de desejaria sujeitar tanto os pais como o marido de Susan, a própria mãe de Susan vê apenas duas coisas à sua frente, o umbigo e o marido que ama mais do que a própria filha. Além do percurso familiar da vida de Susan, somos confrontados com uma sociedade muito peculiar, o submundo do crime onde sangue se «lava» com sangue e crimes, agressões e mortes são o prato do dia-a-dia. Ler acerca de uma sociedade tão diferente daquela onde vivemos, fez-me pensar em quantas mulheres e homens nascem e morrem dentro dela, sem nunca conhecer outro tipo de vida. Susan é a heroína, apesar de tudo o que passa, cria os filhos com amor e dedicação, sempre no meio de muitos «piiiissssss», se é que me entendem, mas pensando sempre neles em primeiro lugar e, acaba por ser isso a salvação dela, uma vez que após o assassinato do marido, Susan não faz nada para se defender. É condenada apesar do advogado achar que muita coisa estava por dizer, no entanto em sua defesa, Susan nada alega!

O título, Duas Mulheres, a meu ver não é o mais adequado ao livro, uma vez que a segunda mulher, Matilda Endebery, ter um papel muito pequeno em toda a trama. Uma autora muito diferente do habitual, com uma escrita sem «papos na língua» e que me fez rir à gargalhada nas mais diversas situações! Infelizmente a Civilização Editora já não tem o livro online, mas de certo que o encontram em alfarrabistas!

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