Crónicas de uma Leitora: "As estrelas brilham na cidade" de Laura Moriarty [Opinião]

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

"As estrelas brilham na cidade" de Laura Moriarty [Opinião]


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Sinopse

Em 1922, Louise Brooks tem apenas 15 anos e vive em Wichita, no Kansas, quando parte para Nova Iorque a fim de frequentar um curso de dança. Com ela vai também Cora, uma mulher mais velha e já casada, para lhe servir de acompanhante. Contudo, apesar de Louise Brooks se ter tornado mais tarde um dos grandes ícones do cinema mudo, é a vida de Cora que Laura Moriarty recria neste romance. Cora Carlisle é uma sufragista bastante convencional, que oculta os seus segredos e tem motivos próprios relacionados com as suas origens para aceitar fazer aquela viagem. Por outro lado, a diferença de idades e de atitudes entre as duas mulheres permite à autora tirar partido do que distingue as duas gerações explorando engenhosamente as múltiplas facetas das mudanças que vão ocorrendo na sociedade. 


Este é, sem dúvida, daqueles livros que nos marcam. Seja por nos transportar até à América do inicio do sec XX, em que os preconceitos estavam no seu auge, seja pela história fantástica de uma mulher, em embora muito convencional, nunca deixou de lutar e de acreditar num mundo em que um pequeno passo poderia fazer toda a diferença.

Falando um pouco da história. Cora, uma sufragista de 36 anos, casada e com filhos gémeos de 18 anos, resolve oferecer-se para acompanhar a filha de uma vizinha, quando esta parte para um curso de verão para Nova Iorque. Mas não é pela viagem, nem pela oportunidade de conhecer Nova Iorque, que Cora resolve acompanhar Louise Brooks. Cora vai em busca do seu passado, do qual só o marido tem conhecimento. Ao longo das semanas em que ela acompanha a aspirante a dançarina, que mais tarde se tornaria acrtiz, ela vai recordando o passado mas também descobrir um pouco mais sobre o pouco que sabe sobre si. Mas a descoberta poderá não ser o que ela desejava. E a angustia de voltar para casa e para um aparente casamento "perfeito" torna-se cada vez maior.

Ao longo do livro vamos conhecendo a vida desta mulher de coragem que nunca baixou os braços e que teve de viver uma mentira porque a sociedade de então não aceitaria a realidade. Ajudou muita gente, fez a diferença e fundou, junto com 2 médicos, uma casa de beneficiência para mães solteiras. Foi avó, bisavó, amou, reaprendeu a amar, mas nunca esqueceu os valores e nem a jovem de 15 anos que acompanhou a um curso de dança que iria revolucionar toda a sua vida.

Uma escrita tão envolvente que me prendeu desde a primeira página. Raramente um livro me prende logo assim, mas este teve a capacidade de o fazer. A linguagem é simples, comovente e plena de ternura. Posso dizer que acabei o livro de lágrima no olho, mas de coração cheio.

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