Crónicas de uma Leitora: Morte nas Trevas, Pedro Garcia Rosado [Opinião]

terça-feira, 27 de maio de 2014

Morte nas Trevas, Pedro Garcia Rosado [Opinião]


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Sinopse:
Gabriel Ponte está finalmente decidido a dedicar-se à investigação privada, pondo fim à inatividade a que uma reforma antecipada da Polícia Judiciária o condenou.
O seu primeiro trabalho como detetive particular consiste em encontrar duas mulheres desaparecidas em Portugal, a pedido de um homem e de uma mulher de origem romena, antigos agentes da Securitate, a polícia política do ditador Ceausescu.
A sua investigação vai conduzi-lo a um confronto com um industrial romeno que cria porcos numa zona rural do concelho de Caldas da Rainha, e que esconde, afinal, segredos hediondos.
À medida que avança neste caso, que vai pôr em risco a vida da sua própria família, Gabriel Ponte recebe a ajuda inesperada de um ex-oficial do KGB e das forças especiais russas, ao mesmo tempo que se torna o alvo da atenção de um inspetor da PJ, obcecado pela justiça.



Não é novidade para ninguém, pelo menos para quem já leu as minhas opiniões e para quem já me ouviu falar de minhas preferências, que o autor Pedro Garcia Rosado encontra-se no meu Top de preferências. Aguardei com grande expetativa este livro, tal como aguardei o regresso da minha personagem preferida; Ulianov. Ulianov tem vindo a seu uma personagem recorrente envolto em mistério e, a meu ver, podendo ir muito muito mais além. Uma daquelas personagens marcantes, carismáticas das quais temos tendência a não nos querer separar... apesar de Gabriel ser o eventual protagonista, faço aqui uma confissão, sempre tive um fraquinho pelos vilões... Não que Ulianov tenha o papel de vilão nesta obra, no entanto, afasta-se em larga escala do típico herói comum, possivelmente, seria o guarda costas que qualquer um de nós gostaríamos de ter, se nos encontrássemos em sarilhos.... Apesar do futuro desta personagem depender do autor, acredito que se suplicarmos muitoooo, esta continuará a desempenhar um papel ativo em próximas obras. 

Outra confissão, este livro acabou por se tornar o meu preferido, uma vez que «patrocinou» um encontro com o autor o que qualquer viciado em leitura saberá o que quis dizer para mim. O Pedro Garcia Rosado é de uma extrema simpatia e o tempo que passámos a falar simplesmente voou. Um MUITO OBRIGADA ao autor!!!

Há anos atrás, se me dissessem que aqui a zona oeste (onde resido), seria palco dos mais macabros crimes... ficaria na dúvida. Ler acerca de lugares que tão bem conhecemos, torna-se muito mais saboroso, mais colorido, mais envolvente. Por momentos, é fácil deixarmos-nos ir, fechar os olhos e sentir que estamos juntos de Gabriel e Ulianov, perto de Salir do Porto, patrulhando aqueles pinhais, sentindo a brisa passar pelos pinheiro e o odor dos eucaliptos... em busca da dita exploração de porcos...

Este verão, quando por lá passar irei sorrir recordando todo o enredo... só espero não ter um furo numa noite dessas...

Esta obra desenrola-se num período de tempo bastante curto, o que acaba por condicionar toda a narrativa, escrita numa velocidade algo alucinante. O autor continua a não se inibir nas descrições pormenorizadas de cenas mais violentas, obrigada, as descrições não se querem sempre em «tons pastel», muito pelo contrário, uma vez que o dia a dia é composto pelas mais variadas gradações de cor. Este é um feito que admiro e que muitas vezes sinto que falta na literatura portuguesa... queremos escrever algo mas a nossa «censura» acaba por nos condicionar, escrevendo apenas metade do que a nossa alma pensou... esta é a minha modesta opinião, vale o que vale...

Relativamente às personagens romenas e ciganas existentes na obra, por conhecimento de causa uma vez que trabalhei com a comunidade cigana durante algum tempo, acredito que seria necessário um líder bastante implacável para controlar um eventual banho de sangue ainda mais colorido do que o descrito. Tive alguma dificuldade em aceitar o que se passou com a minha sósia Claudia, pensei seriamente em colocar de parte qualquer outro livro do autor, talvez por um micro segundo ;-)

Neste livro acabamos por encontrar três personagens de peso, Ulianov, Gabriel Ponte e Joel Franco protagonista da Trilogia Não Matarás. Encontramos também os três personagens em pontos cruciais de sua vida. Gabriel Ponte encontra-se no que parece ser, a bonança depois da tempestade, uma vez que após o divórcio com Patrícia, parece agora criar uma nova proximidade com a jornalista Filomena... no entanto, e talvez pela deceção sentida na obra anterior, não consigo acreditar nesta relação... simplesmente não julgo existir a empatia e a química necessária à vida de Gabriel...

Joel Franco acabou por ser, das três personagens já conhecidas, a menos evidenciada, no entanto é visível a evolução desde a obra Não Matarás, para quem ainda não leu não me poderei alongar, mas notei o mesmo envolto numa amargura bastante compreensiva...

Claro está, se tivesse que entregar um «Óscar» seria a Ulianov, apesar do protagonista ser Gabriel Ponte. Mais uma vez, o autor conseguiu surpreender-me com o final e a explicação dos como, quando, porquê e de que maneira... provocando-me por segundos, uma eventual ida às urgências devido a enfarte cardíaco... obrigada Pedro Garcia Rosado por ser apenas uma eventual ida...

Não poderia deixar de evidenciar a magnífica capa elaborada pela Topseller, bastante apelativa fazendo jus ao ditado: os olhos também comem! Espero sinceramente por novos livros, novos enredos, parcerias entre novos e «velhos» heróis...


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