Crónicas de uma Leitora: Orgulho e Preconceito, de Jane Austen [Opinião]

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Orgulho e Preconceito, de Jane Austen [Opinião]




Sinopse:

Orgulho e Preconceito é o romance mais conhecido de Jane Austen. Embora o universo que retrata seja circunscrito - a sociedade inglesa rural da época -, graças ao génio de Austen o seu apelo mantém-se intacto. É uma história de amor poderosa, entre Elizabeth Bennet, a filha de espírito vivo e independente de um pequeno proprietário rural, e Mr. Darcy, um aristocrata altivo da mais antiga linhagem. Mas é também uma deliciosa comédia social, à qual estão subjacentes temáticas mais profundas. A sua atmosfera é iluminada por uma jovialidade contagiante, por uma variedade de personagens e vozes que tornam o enredo vibrante e constantemente agitado pelo elemento surpresa, pela genialidade da inteligência e da ironia de Austen.




Opinião por Sofia Mesquita:


Para quem já ouviu falar de Mr. Darcy (quem é que não ouviu??) e já se deparou com comparações entre ele e outras personagens de outros livros de épocas bem diferentes, sem nunca ter percebido o porque de tanto alarido à volta do dito senhor, este livro é um “must read”. E por uma razão simples: porque garantidamente não vão arrepender-se.

Jane Austen transporta-nos de forma exemplar para uma Inglaterra do século XIX, em que as aspirações dos jovens em geral, sobretudo das raparigas (e dos seus pais, como é óbvio), é fazer um bom casamento, que permita uma estabilidade financeira capaz de rivalizar com qualquer um dos casamentos feitos ou a fazer nas redondezas. É quase como se houvesse uma competição para ver que casa melhor e quando. Esta competição é especialmente importante para Mrs. Bennet uma vez que, estando as propriedades do casal constituídas em morgadio e não existindo nenhum filho que as venha a herdar, aquando da morte do patriarca todo o seu património passará para as mãos de Mr. Collins, um primo da família.

Após uma visita algo inesperada de Mr. Collins à família Bennet, agudiza-se a necessidade de "despachar" as filhas, lançando-se Mrs. Bennet numa persistente e incessante procura pelos pretendentes que poderão solucionar esta questão o quanto antes. E assim se adensa a competição, que se torna mais acesa (e cada vez mais interessante) com a chegada de Mr. Bingley às redondezas. Um jovem rico, bem parecido e que emana simpatia por todos os poros, rapidamente se torna no genro ideal para Mrs. Bennet, que tudo faz para conseguir que este se case com Jane, a sua filha mais velha e a sua favorita de entre as cinco que compõem a sua prol.

Com Mr. Bingley chega também Mr. Darcy. Uma personagem snob q.b. e que rapidamente cativa a atenção da segunda filha dos Bennet, mas pela negativa. A antipatia que se gera entre ambos é quase palpável, por um lado porque Mr. Darcy é um homem que facilmente se odeia e, por outro lado, porque Elizabeth cria de si uma imagem de tal forma cinzenta que se torna quase impossível desenvolver qualquer tipo de sentimento positivo por esta personagem.

Mas Mr. Darcy é muito mais do que aquilo que Elizabeth pensa e que nos é dado a conhecer e o tempo e o desenvolvimento da história encarregar-se-ão de mostrar o seu verdadeiro carácter. O enredo leva-nos a uma “tragédia” que mergulha a família Bennet no mais devastador dos infortúnios, protagonizado por uma das filhas mais novas do casal (que rapidamente se converte na favorita da mãe), e é justamente nessa altura que percebemos até onde vai a índole e o coração daquele que é, sem dúvida, um dos mais extraordinários protagonistas de todos os tempos.

Preparem-se para uma história crivada de futilidades, preocupações quase ridículas, alguma pobreza de espírito e muitas cabeças ocas (sobretudo da parte das filhas mais novas do casal Bennet). Mas preparem-se também para uma sátira mordaz da sociedade inglesa da época que nos proporciona alguns momentos bem divertidos, para muitas reflexões sobre o estilo de vida que era valorizado naquela altura, diálogos carregados de críticas e tiradas inteligentes, chiliques da Mrs. Bennet (que são absolutamente deliciosos) e, como não pode deixar de ser, reviravoltas que nos deixam sentimentos divididos.

Não sou (e admito que nunca fui) grande apreciadora de clássicos, ainda que não consiga dizer exactamente porquê. No entanto, fui agradavelmente surpreendida pela narrativa e adorei este “quadro” que nos foi pintado por Jane Austen. Com personagens de carácter rico, outras nem por isso e outras até insignificantes, é quase impossível não nos deixar seduzir por esta Inglaterra carregada de pompa e circunstância em que as aparências valem mais do que mil palavras.

Um livro a descobrir (ou a re-descobrir, para quem já leu)!

Para ler mais informações sobre o livro Orgulho ou Preconceito de Jane Austen, clique aqui

1 comentário:

  1. Olá, esta opinão foi partilhada na página do Facebook da Jane Austen Portugal: https://www.facebook.com/JaneAustenPortugal

    Saudações Austeninas

    Vera

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