Crónicas de uma Leitora: A Rapariga Corvo de Eric Axl Sund [Opinião]

terça-feira, 25 de março de 2014

A Rapariga Corvo de Eric Axl Sund [Opinião]




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Sinopse:


A psicoterapeuta Sofia Zetterlund está a tratar dois pacientes fascinantes: Samuel Bai, um menino-soldado da Serra Leoa, e Victoria Bergman, uma mulher que tenta lidar com uma mágoa profunda da infância. Ambos sofrem de transtorno dissociativo de personalidade. A agente Jeanette Kihlberg, por seu lado, investiga uma série de macabros homicídios de meninos em Estocolmo. O caso está a abalar a investigadora, mas não tem tido grande destaque devido à dificuldade em identificar os meninos, aparentemente de origem estrangeira.

Tanto Jeanette como Sofia são confrontadas com a mesma pergunta: quanto sofrimento pode um ser humano suportar antes de se tornar ele próprio um monstro?

À medida que as duas mulheres se vão aproximando cada vez mais uma da outra, intensificam-se os segredos, as ameaças e os horrores à sua volta.






Há livros que se devoram, há livros que se fecham... este foi um deles. Demorei exatamente três noites a ler este livro, por duas vezes fui obrigada a fechá-lo, a desviar o pensamento, a tentar esquecer as descrições pormenorizadas... a imaginação no entanto não descansava, o que se traduziu em algumas noites de angústia... Este é o tipo de livro que faria as minhas delícias antes de ser mãe e que povoará meus pesadelos em certas noites de insónias. O texto está magistralmente escrito, ao longo da trama senti-me como que um fantasma, observando os vários personagens, sentindo o tormento de uns e vivenciando as fantasias de outros. É simplesmente impossível ficar-se sem reação a uma obra como esta, é impossível não pensarmos que os autores conseguiram ultrapassar aquela «linha» que poucos conseguem e, transportando-nos para dentro de uma mente sem escrúpulos, desprovida de emoções desconhecendo o significado de empatia...

Não foi, no entanto, uma surpresa para mim, a minha formação em psicologia clínica congratulou-se com o facto de inicialmente suspeitar com certezas absolutas quem seria o ser hediondo... o que acabou por me causar ainda mais ansiedade pela espera do próximo volume uma vez que o final do livro deixa-nos a segundos de um clímax tortuoso.

A obra em si não é uma obra fácil de ler, uma vez que existem vários saltos temporais e diversas personagens sui generis. Conhecemos a agente Jeannette Kihlberg, encarregue da investigação de uma série de crimes envolvendo crianças, crianças estas completamente desconhecidas e que ninguém reclama. Desde cedo a sua investigação sofre diversos entraves por parte de altas chefias, sempre desviando Jeannette dos seus verdadeiros suspeitos. Mais do que uma vez a agente sente que lhe estão a «cortar as pernas» forçando-a a seguir em direções contrárias ao que esta desejava. Se por um lado Jeannette tem uma postura firme no seu local de trabalho, na sua vida familiar o caso é bem diferente. Apesar de ser o «ganha pão» da família, nota-se uma distância surpreendente entre esta, o companheiro e respetivo filho de ambos. É interessante observar esta dualidade na personalidade de Jeannette, a personalidade vincada na área profissional acaba por ceder à relação pouco emocional que tem com o companheiro.

Outra personagem de peso é a psicóloga Sofia Zetterlund que avalia determinados casos, melhor dizendo, possíveis suspeitos e que acabará por se cruzar com Jeannette na investigação dos diversos crimes cometidos. Apesar de ambas se dedicarem a áreas diferentes da investigação criminal e mesmo inseridas em investigações paralelas, acabam por formar um laço que tudo indica, as conduzirá às respostas que ambas procuram.

Por último mas nem sombras a menos significante, conhecemos através de registos de Sofia Zetterlund, Victoria Bergman, uma das suas pacientes que sofre de transtorno dissociativo de personalidade. Ao longo do livro somos confrontados pelas diversas agressões físicas e emocionais que Victoria sofreu, acabando por esta, se tornar vítima da sua própria história de vida e experiências vivenciadas.

A pergunta: quanto sofrimento pode um ser humano suportar antes de se tornar ele próprio um monstro, acaba por ser a essência de todo o livro.

Aos indecisos: não percam tempo, aos facilmente impressionáveis... pensem duas vezes... aos que como eu adoram um bom thriller... foi simplesmente o melhor thriller que li nos últimos tempos!!!








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