Crónicas de uma Leitora: " Ulianov e o Diabo" de Pedro Garcia Rosado - Opinião

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

" Ulianov e o Diabo" de Pedro Garcia Rosado - Opinião




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Sinopse:

Um magnífico romance policial português

Pedro G. Rosado leva-nos ao velho coração de Lisboa, à beira do Tejo, onde um emigrante russo com o nome de guerra Ulianov, ex-agente do KGB e ex-presidiário, é arrastado para a batalha mais difícil da sua vida, quando a sua irmã desaparece. Em ULIANOV E O DIABO vamos também conhecer o inferno das cavernas subterrâneas da Lisboa ribeirinha, de onde emerge o sem-abrigo que guarda o segredo do desaparecimento da irmã de Ullianov.





Mais um livro espetacular do autor Pedro Garcia Rosado, que fez as delícias durante três noites. Na presente obra surgem duas personagens com as quais já tinha tido contato nos livros Vermelho Cor de Sangue (Ulianov) e Morte na Arena (Diabo). É estranho ler a obra de Pedro Garcia Rosado da frente para trás, uma vez que este foi o seu segundo romance e eu iniciei pelo penúltimo (Morte Com Vista Para o Mar), mas para quem ainda não tenha conhecimento dos livros, por favor não se iniba de ler o que houver à mãe, deverá sim é lê-los todos.

Gostei finalmente de conhecer o passado de Ulianov e do Diabo, especialmente de Ulianov pois tinha sido uma personagem com a qual criei alguma empatia em Vermelho Cor de Sangue. É acima de tudo uma personagem carismática, a única no presente livro. Não que as outras não estejam bem construídas, bem demais, mas revelam acima de tudo os «podres» da sociedade portuguesa.

A trama inicia na década de 70, com uma agressão a uma jovem por parte de três outros jovens que, após sua violação, abandonam-na mata de Sintra. De seguida somos levados para o Rio Tejo, novamente espetadores de uma agressão a Irina, culminando numa tentativa de homicídio da parte de dois irmãos.

Irina, irmã de Ulianov, é deixada como morta, na margem do rio Tejo, no Cais de Sodré, «como morta» uma vez que o corpo desaparece, no local ficam alguns cabelos, sangue e massa encefálica o que nos fará duvidar da sua sobrevivência. Em sua busca encontramos o noivo que pede ajuda a Ulianov uma vez que acredita que o seu desaparecimento não ocorrera de livre vontade. Apesar do irmão já não ter contato com Irina, acaba por se envolver numa investigação que envolve redes de prostituição, pornografia, bem como figuras distintas da sociedade lisboeta e de Cascais. Ulianov acaba por ser agredido/ajudado (sim por esta ordem) pelo Diabo, personagem que habita os subterrâneos existentes por baixo da zona ribeirinha da cidade de Lisboa… quem sofra de agorafobia existem algumas cenas que podem causar algum desconforto ao leitor inclusive, provocar alucinações olfativas com a descrição exaustiva dos cheiros existentes nesses subterrâneos!

Por fim Ulianov conquista um aliado na figura do Diabo (à custa de umas cervejas e de uns pastéis de bacalhau, quem resiste a uns belos e suculentos pastéis de bacalhau?) acabando por descobrir o que acontecera com a irmã.

O livro tem uma leitura extremamente fluida o que já se torna habitual no autor. É mais uma vez muito gratificante ser conduzido por cenários que acabamos por, mal ou bem, conhecer de alguma forma e que de certo modo, nos farão olhar para eles com outros olhos da próxima vez que por lá passearmos. Após a leitura do livro, tal como aconteceu com Morte na Arena, acabo por encarar a cidade de Lisboa sob outra perspectiva, bem mais sombria. Verdade seja dita que a zona ribeirinha da nossa capital poderia facilmente ser palco de diversos homicídios, em ruelas estreitas de calçada portuguesa onde janelas de vizinhos quase se tocam e, no entanto, tão anónima quanto uma noite escura e sem lua o permite.

Relativamente a esta obra, sinto-me na obrigação de sublinhar o fato deste livro ser, infelizmente, de difícil acesso uma vez que se encontra esgotado, consegui-o em segunda mão, bem como O Clube de Macau mas para nós leitores, seria uma excelente ideia uma editora (por favor TopSeller) reeditar estes livros. Não sei se é possível, estou apenas a pensar em como ficavam todos bonitos na minha estante dedicada ao autor!

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