Crónicas de uma Leitora: Morte na Arena, de Pedro Garcia Rosado [Opinião]

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Morte na Arena, de Pedro Garcia Rosado [Opinião]




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Sinopse:

Quatro homens aparecem mortos num prédio devoluto, ao lado de um braço decepado que não pertence a nenhum deles. Com o passar dos dias começam a surgir outros membros humanos espalhados por Lisboa, até ser evidente que são partes do corpo de uma jovem de dezasseis anos, filha de um dirigente político, que foi assassinada e que estava desaparecida havia meses.

As investigações destes casos estão a cargo da inspetora-coordenadora da PJ, Patrícia Ponte, ex-mulher de Gabriel Ponte, que enfrenta agora obstáculos dentro da própria PJ, além da pressão do ex-marido, que quer informações sobre o caso, e da jornalista Filomena Coutinho, que foi a causa da separação deles.

Os três acabam por descobrir um inferno escondido nos túneis subterrâneos de Lisboa: uma arena onde especialistas em combate corpo a corpo massacram homens e mulheres, numa imitação dos combates de gladiadores da Roma Antiga.




Perturbador, é o adjetivo com o qual caraterizo a presente obra... bem como, tétrico, maquiavélico, ardiloso e pérfido!!! E com todos estes adjetivos quem bem me conhece, sabe que adorei o livro. Não o li todo de uma só vez, porque o João Pestana e sua família em peso, colocou-se sob minhas pálpebras e tive mesmo de dormir ao final de pouco mais de 200 páginas. Já houvera afirmado que gostei da trilogia Não Matarás, tal como tinha adorado o primeiro livro da Série Gabriel Ponte. Após a leitura de Morte na Arena, fiquei completamente rendida às próximas aventuras/desventuras de Gabriel Ponte, venham mais, muitos mais.

No presente livro somos conduzidos de forma insegura e lúgubre, pelo ventre da cidade de Lisboa, ficando a conhecer um pouco da história particular das Galerias Romanas existentes sob a mesma. Nessas galerias, particularmente numa arena lá existente, são orquestrados combates entre modernos Gladiadores e os anónimos de Lisboa, sendo este grupo constituído por sem abrigos, toxicodependentes e prostitutas, enfim, os Esquecidos. Claro está, de legal os combates nada têm mas fazem as delícias de um sem número de homens e mulheres, «a fina flor da sociedade portuguesa» que, a cada combate se torna mais exigente... Exigem mais sangue, mais violência, um sem número de atos macabros que, infelizmente, apenas a mente humana pode imaginar, fantasiar e colocar em prática.

A leitura deste livro, a meu ver, provocador, faz-nos questionar acerca da humanidade da nossa atual sociedade ou, mais evidente, a falta de humanidade que sempre caraterizou os seres humanos. Os gladiadores dos tempos modernos que nos são dados a conhecer, são réplicas exatas dos gladiadores romanos, quem não se recorda do filme O Gladiador ou ainda mais antigo Quo Vadis. Se na altura os jogos e massacres poderiam, de alguma forma, ser atenuados com a justificação dos que se encontravam a ser massacrados serem o inimigo, na presente obra não existem inimigos, apenas objetos desprovidos de sentimentos, para servirem de gáudio aos mestres que orquestram esta demanda.

Relativamente às várias personagens, antes de mais e desculpem-me quem ainda não leu o livro, deixei de sentir qualquer tipo de empatia com a personagem de Filomena Coutinho, revelou-se uma mulher extremamente frágil, emotiva, cobarde falhando para com Gabriel Ponte na altura que este mais necessitou. Pelo contrário, a  personagem de Patrícia Ponte mereceu o devido destaque, evoluindo em larga escala com o decorrer da narrativa. Mais uma vez Gabriel Ponte meteu-se por «atalhos» sem pesar as consequências, no entanto, como o ditado diz: os fins justificam os meios! A personagem do Diabo deixou-me a «pulga atrás da orelha e penso que na próxima semana já terei na minha posse o livro Ulianov e o Diabo que de certo, me fará compreender melhor tão tétrica personagem!

Por último e como não poderia deixar de ser, um muito obrigada ao Pedro Garcia Rosado por tornar tão visível o género literário de thriller bastantre apreciado por pessoas comuns como eu, finalmente podemos fechar os olhos e imaginar a trama e os locais por onde esta se desenrola uma vez que se passa no nosso país. Torna-se mais fácil do que estar constantemente a imaginar paisagens desoladoras do deserto americano, charnecas sombrias inglesas ou densas florestas geladas suecas!

Um muito obrigada também à TopSeller pela continuidade da série com a qualidade que já nos habituou!

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