Crónicas de uma Leitora: E se Fosse Um Anjo de Keith Donohue [Opinião]

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

E se Fosse Um Anjo de Keith Donohue [Opinião]


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Sinopse

Um romance mágico sobre a família e o poder do amor. 

Há dez anos que Margaret não tem contacto com a sua filha Erica. Esta fugiu com um jovem anarquista e vive à margem da lei no Novo México, onde terá tido uma filha. Por isso, quando numa noite fria de Janeiro encontra uma criança abandonada à porta de sua casa, Margaret acredita tratar-se da sua neta. A pequena Norah destaca-se pela sua inteligência, bondade e cedo demonstra ter habilidades extraordinárias que encantam a comunidade. Afirma ser um anjo e consegue fazer duvidar os que a rodeiam. Mas quando uma carta de Erica chega às mãos de Margaret, toda a realidade que esta criara para explicar o sucedido ameaça desmoronar-se. Pois se Erica nunca teve uma filha… quem será realmente Norah?





Após ler a sinopse e os primeiros capítulos que a Saída de Emergência disponibiliza no seu site, fiquei bastante entusiasmada para ler o presente livro. Já tinha lido excelentes críticas relativas à obra anterior do autor; A Criança Roubada, no entanto esse livro nunca constou nas minhas estantes. Assim sendo quando a Vera Carregueira me pediu para o ler aceitei com bastante entusiasmo.

A leitura deste livro deixou-me com um gosto agridoce nas pupilas, não consigo dizer o quanto gostei ou desgostei uma vez que no decorrer da leitura passei pelos mais diversos sentimentos. Um início bastante prometedor revela-se no decorrer dos capítulos extremamente denso. A escrita do autor é pontuada em 90% por narrativa e apenas 10% por diálogos o que nos faz sentir que a trama se arrasta de forma lenta e demasiado elaborada. O livro divide-se essencialmente em 3 partes; a chegada de Norah, que Margaret desconfia/deseja ser a sua neta, filha de sua filha Erica que houvera desaparecido há alguns anos. O regresso ao passado de forma ao leitor conseguir perceber o que se passou com Erica. E por último, os capítulos finais desenvolvem-se em torno do restabelecimento de laços afetivos entre as várias personagens que surgem no decorrer da trama.

Desde o início somos confrontados com uma Margaret que assume Norah como sua neta sem sequer questionar o fato de ter subitamente, aparecido à sua porta sem qualquer informação e da qual a mesma pouco ou nada revela. Norah parece ser a resposta às preces de Margaret, uma forma de suavizar a dor que esta sentia pelo abandono da filha e posterior falecimento do marido. Tal como Norah aparece, surge também uma personagem de caráter maligno, sempre em busca da menina embora o leitor não se aperceba quem esta personagem possa ser.

Norah acaba por se revelar uma caixinha de surpresas o que leva o leitor a supor que poderá ser algo mais do que à primeira vista transparecia mas, no desenrolar da narrativa acabamos por ficar presos ao aqui e agora não havendo desenvolvimentos que me tenham envolvido ao ponto de a leitura do presente livro me tenha motivado de forma constante. Como já acima referi, a escrita é densa, não é um livro para se ler de forma fácil. A escrita do autor é bastante peculiar, suga-nos a energia em prol de nos instigar alguma. Subitamente somos conduzidos ao passado, ao difícil relacionamento que esta mantinha com os pais, à fuga de Erica com o namorado e aqui, o enredo que à primeira vista parecia trazer alguma atividade ao livro, acaba por se tornar ainda mais pesado e difícil de ler.

Não gostei nada do final do livro, e apesar de não gostar de fazer spoiler sou obrigada a fazer referência ao facto de não ter compreendido o desfecho que o autor nos revela relativamente à personagem de Norah, bem como à falta de uma explicação mais nítida acerca da dita personagem maligna que persegue Norah durante o desenrolar da trama. Quando fechei o livro senti-me de alguma forma angustiada e não consegui retirar qualquer tipo de moral do mesmo.

1 comentário:

  1. Eu li "A criança roubada" e os meus sentimentos foram idênticos aos que descreveu para este livro.
    Por isso decidi deixar o autor para outra altura.

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