Crónicas de uma Leitora: Cinder de Marissa Meyer [Opinião]

domingo, 1 de setembro de 2013

Cinder de Marissa Meyer [Opinião]

Cinder

Sinopse:
Com dezasseis anos, Cinder é considerada pela sociedade como um erro tecnológico. Para a madrasta, é um fardo. No entanto, ser cyborg também tem algumas vantagens: as suas ligações cerebrais conferem-lhe uma prodigiosa capacidade para reparar aparelhos (autómatos, planadores, as suas partes defeituosas) e fazem dela a melhor especialista em mecânica de Nova Pequim. É esta reputação que leva o príncipe Kai a abordá-la na oficina onde trabalha, para que lhe repare um andróide antes do baile anual. 

Em tom de gracejo, o príncipe diz tratar-se de «um caso de segurança nacional», mas Cinder desconfia que o assunto é mais sério do que dá a entender. 

Ansiosa por impressionar o príncipe, as intenções de Cinder são transtornadas quando a irmã mais nova, e sua única amiga humana, é contagiada pela peste fatal que há uma década devasta a Terra. A madrasta de Cinder atribui-lhe a culpa da doença da filha e oferece o corpo da enteada como cobaia para as investigações clínicas relacionadas com a praga, uma «honra» à qual ninguém até então sobreviveu. Mas os cientistas não tardam a descobrir que a nova cobaia apresenta características que a tornam única. Uma particularidade pela qual há quem esteja disposto a matar.


Num ambiente distópico onde as máquinas ocupam o lugar de ossos e órgãos vitais do corpo humano, Cinder é nada mais nada menos que a Cinderela mecânica deste ambiente futurista.

Seguindo a estrutura do clássico que inspirou este livro, Cinder apresenta-se como uma cyborg e tal qual gata borralheira da Disney, sem qualquer liberdade, ou seja é propriedade da sua tutora, a madrasta maquiavélica, Adri. Continuando no paralelismo com a Cinderela, tem também duas irmãs mas ao contrário do imaginário infantil. enquanto a irmã mais velha segue os passos da mãe, a mais nova, Peony é uma ternura de pessoa. Para completar esta família disfuncional temos ainda Iko, a companheira de Cinder e sua fiel amiga que possui uma inocência bastante...electrónica.

Mas não foi só neste clássico da princesas que encontrei ligações. Fã assumida das Navegantes da Lua, "Cinder" apresenta uma paralelismo bastante evidente com outro dos meus vícios de quando era criança.

Aparentando uma juventude que não reflecte a sua personalidade forte, talvez pela sua condição na sociedade, talvez por tudo o que passou e que não se lembra, Cinder demonstra uma personalidade que já vem sendo comum nas protagonistas de várias distopias: um carácter forte, corajoso e com um jeito de consertar vários aparelhos estragados com uma só única pancada! Brincadeiras à parte, Cinder entra para o meu top pessoal de protagonistas preferidas, esqueçam a gata borralheira que era escrava da madrasta má e das irmãs diabólicas, aqui a cyborg também o é mas responde torto e bem feio! Adorei este twist que a autora deu a personagem principal, confesso que a Cinderela não é dos meus filmes preferidos, queixava-se muito e não se sabia impor, aqui Cinder impõe-se apesar de não poder alterar a sua posição na sociedade, mas mesmo assim não deixa que façam "gato-sapato" dela. Foi um grande ponto positivo e que me deixou bastante animada para a leitura que se iria desenrolar. Como adenda, apesar de haver descrição das suas partes robóticas não nos é dado ao certo uma descrição física de Cinder, e gostei que a autora não referisse nem um ponto sobre a aparência pelo menos do rosto de Cinder, porque aqui o que interessa realmente é o que ela é por dentro...literalmente.

Estando já habituada a este universo distópico, Marissa Meyer não teve qualquer dificuldades em nos apresentar esta Nova Pequim. Conseguiu introduzir o leitor a um mundo novo para nós mas já bastante conhecido para todas as personagens do enredo, em momento algum me senti perdida. Entre dois mundos, o planeta Terra governado pelo príncipe, futuro imperador Kai e a Lua com uma rainha de nos fazer eriçar todos os pelinhos do nosso corpo, a ambiência do livro é perfeita na introdução desta atmosfera oriental.

Dividido em quatro livros, cada um iniciado com um excerto da história original, Cinder leva-nos a uma aventura de puro entretenimento! Desde a epidemia da peste que assombra os humanos deste planeta e a sua incansável cura (patrocinada por uma personagem bem intrigante), ao romance muito subtil com o príncipe (decepcionou-me um pouco), passando pela história de um povo Lunar que perdeu uma princesa que talvez ainda tenha a hipótese de assumir o trono perdido, "Cinder" é uma retelling vibrante de uma história meio aborrecida sem ratos falantes e fadas madrinhas. 

Embora tenha sido uma leitura viciante e bastante positiva tenho de apontar os três aspectos que me fizeram baixar o livro de cinco estrelas para quatro estrelas e meia. Primeiro, como já referi acima o fraco romance entre Cinder e Kai e pior que tudo a reacção deste no fim, quando a verdade é revelada seguida de uma batalha com fraca descrição e muito difícil de visualizar entre a rainha Lunar e Cinder. Por fim a enorme ponta solta com que a autora termina este livro. Apesar de cada livro da série ser um reconto, sendo este o da Cinderela, o segundo o da Capuchinho Vermelho, terceiro o da Rapunzel e o quarto e último o da Branca de Neve, a história não se conclui em si, ou seja acredito que agora no próximo livro e nos restantes até ao fim da série, a história desta mecânica, que ainda tem muito para contar seja uma presença nos outros volumes. Só espero que não se torne bastante confuso, acho que preferia um livro com princípio, meio e fim, mesmo que depois houvesse breves referências às personagens anteriores. 

Foi em boa hora que li este primeiro livro da série "Crónicas Lunares" pois já não falta muito para o próximo livro. Fica aqui a recomendação de uma distopia recontada de uma forma bastante original e apelativa. 

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