Crónicas de uma Leitora: "A Estrada", de Cormac McCarthy - Opinião

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"A Estrada", de Cormac McCarthy - Opinião




Sinopse
Um pai e um filho caminham sozinhos pela América. Nada se move na paisagem devastada, excepto a cinza no vento. O frio é tanto que é capaz de rachar as pedras. O céu está escuro e a neve, quando cai, é cinzenta. O seu destino é a costa, embora não saibam o que os espera, ou se algo os espera. Nada possuem, apenas uma pistola para se defenderem dos bandidos que assaltam a estrada, as roupas que trazem vestidas, comida que vão encontrando – e um ao outro. A Estrada é a história verdadeiramente comovente de uma viagem, que imagina com ousadia um futuro onde não há esperança, mas onde um pai e um filho, “cada qual o mundo inteiro do outro”, se vão sustentando através do amor. Impressionante na plenitude da sua visão, esta é uma meditação inabalável sobre o pior e o melhor de que somos capazes: a destruição última, a persistência desesperada e o afecto que mantém duas pessoas vivas enfrentando a devastação total


Angustiante. Envolvente. Marcante.
Devo começar por dizer que acho este livro genial, um verdadeiro assombro às nossas mentes cheias de ideias pré-concebidas e certezas que muitas vezes se desfazem tão facilmente que nem damos por isso.
A ideia pode parecer, à primeira vez, já bastante explorada. E é de facto. Mas esta narrativa não assenta, a meu ver, apenas num futuro apocalíptico onde  tudo se perde e nada se encontra. "A Estrada" é muito mais do que isso. Cormac McCarthy simplesmente pega em nós e enfia-nos descaradamente na mente das duas personagens principais, pai e filho, e faz com que sintamos o medo que eles sentem, a fome, a sede, a incerteza, uma réstia de esperança num mundo frio e cinzento no qual essa mesma esperança se perdeu há muito.
A verdade é que nunca uma explicação nos é dada acerca do motivo pelo qual o planeta se encontra no estado em que é descrito. Todavia, na minha opinião, isso não é necessário, pois a resposta está em quase todas as outras personagens que vão aparecendo e naquilo que elas representam.
A relação entre o pai e o filho é excepcional, aparentemente vazia e distante, mas apenas porque não havia outra forma de o ser face aquilo que o mundo era.
Trata-se de um livro magistral onde o autor em tão pouca acção conta imenso sobre o Homem.



1 comentário: