Crónicas de uma Leitora: "Onde estão as crianças" de Mary Higgins Clark [Opinião}

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"Onde estão as crianças" de Mary Higgins Clark [Opinião}


Sinopse:
Nancy fugiu ao sofrimento do seu primeiro casamento, à morte macabra dos dois filhos pequenos, às histórias de capa dos jornais e às chocantes acusações feitas contra si. Mudou de nome, pintou o cabelo e foi viver para outro sítio. Agora, feliz com um novo marido e dois filhos lindos, Nancy sente que pode por fim esquecer a sua história trágica e começar a acreditar em segundas oportunidades. Até que, uma manhã, olha pela janela para ver os filhos, mas encontra apenas uma luva vermelha e percebe que o pesadelo começou do novo…



Mary Higgins Clark apresenta-se-nos num registo diferente: o policial. Aliás, ela própria nos apresenta com uma introdução do porquê se ter resolvido escrever um livro deste género. E embora ele seja pequeno, 196 paginas, é intenso da primeira à última.
Nancy, casada com 2 filhos, vive actualmente nos suburbios, depois de ter sido acusada de ter morto os seus 2 filhos 7 anos antes. Libertada por uma questão técnica ela resolve fugir do sitio onde toda a gente a olhava de lado e onde estava sempre a ver dedos acusadores.
Refez a vida, tendo casado e tem de novo 2 filhos que são a razão da vida dela. Dona de casa, vive para eles e para o marido. E mesmo estando sempre a ter pesadelos e olhando sempre por cima do ombro com medo que algum dia os novos vizinhos descobrissem quem ela era na realidade, nada a prepara para a manhã que os seus 2 filhos desaparecem, de novo.
Começa aqui uma loucura de 48 horas, em que todos suspeitam novamente dela. Em que é de novo acusada de ter morto os filhos. Mas uma série de descobertas e uma hipnose começam aos poucos a levantar o véu do mistério. E ninguém, mas ninguém desconfia que os filhos estão bem perto dela numa casa onde está a ser observada há meses. Alguém que a conhece e prometeu que ela não iria ser de novo feliz.

Escrito a um ritmo avassalador, pois tudo se passa em 48 horas, a historia atropela-se e ficamos a conhecer uma série de personagens de forma compacta mas funcional. Em momento algum fiquei com a sensação de precisar de saber mais deste ou daquele personagem para entender a história.
Acabei o livro em 3 horas. E quando acabei parecia que me faltava o ar, vindo de uma maratona. Isto porque os sentimentos que tive foram de um extremo ao outro. Comecei por ter pena de uma mãe que perdeu 2 filhos que se viu de repente apartada de outros 2. Depois comecei a sentir odio, e raiva pelo homem que os levou e que ainda por cima se ria da situação. Sabem aquela sensação que temos quando estamos a ver um filme e queremos entrar pela TV dentro para apertar o pescoço ao mau da fita? Era assim que me sentia. Agoniada, pois sabia que as crianças corriam perigo e ninguém tinha sequer uma pista para onde se virar. As horas a passar e parecia que toda a gente sabia, individualmente alguma coisa, mas ninguém queria contar nada. Enfim um sufoco.
Retratando a realidade dos raptos e da pedofilia, este livro foi sem duvida um dos que mais gostei este ano.

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