Crónicas de uma Leitora: A Raparida dos Seus Sonhos, de Donna Leon [Opinião]

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Raparida dos Seus Sonhos, de Donna Leon [Opinião]


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Sinopse:
Numa manhã chuvosa, o Commissario Brunetti e o Ispettore Vianello respondem a uma chamada de emergência sobre o aparecimento de um cadáver a flutuar perto de uns degraus no Grande Canal. Ao estender os braços para puxar o corpo, o pulso de Brunetti é enredado pelo cabelo dourado do cadáver e avista um pequeno pé – juntos, Brunetti e Vianello, retiram uma rapariga morta da água.

Todavia, por incompreensível que possa parecer, ninguém comunicou o desaparecimento de uma criança, nem o roubo das jóias em ouro que tem na sua posse. Brunetti é atraído para uma busca não só sobre a causa da sua morte, mas também da sua identidade, a família e os segredos que as pessoas estão dispostas a guardar a fim de proteger os filhos – sejam inocentes ou culpados.

Desde os canais e os palazzi de Veneza até um acampamento cigano no continente, Brunetti debate-se com o preconceito institucional e a criminalidade acobertada para esclarecer o destino da criança morta.



Denso é a palavra que melhor descreve a leitura deste primeiro livro que li de Donna Leon. Um ambiente pesado, cheio de mistérios e subterfúgios que me obrigou a ler de forma atenta a narrativa. Posso afirmar que inicialmente fique dececionada com o presente livro, com uma sinopse muito apelativa e uma capa lindíssima, estranhei que ao longo de mais de 100 páginas não surgisse o acontecimento descrito na sinopse. Acompanhamos inicialmente o Inspetor Brunetti no funeral de sua mãe, bem como um estranho pedido da parte do padre Antonin para que este investigue uma determinada «seita». Ao longo mais de 100 páginas somos confrontadas com esta investigação o que me fez supor, a dada altura, que a sinopse não coincidisse com o livro em questão. Engano meu!!!

O livro divide-se em duas investigações paralelas, por um lado a pesquisa sobre a dita seita, bem como pelo passado algo obscuro do padre Antonin da qual o Inspetor Brunetti não confia, devido talvez a reminiscências passadas no decorrer da adolescência de ambos. Por outro lado somos confrontados com a investigação da morte de uma menina romani (cigana) e eventualmente, tudo o que advém de uma investigação a uma comunidade com caraterísticas tão próprias e diferentes da própria cultura italiana.

A par com esta investigação é dado ordens ao departamento do qual Brunetti faz parte, para se tratar todos os estrangeiros de forma cuidada e sem comportamentos racistas, o que acaba por promover uma onda de desinteresse por tudo o que estes grupos possam fazer uma vez que é preciso ter cuidado da forma como os chamam à atenção. A intenção dessa ordem seria para que as diferenças de tratamento com base na comunidade multicultural fosse esbatida, no entanto, o que os técnicos no terreno se confrontam, é com o impedimento de fazer prevalecer a lei sob a pena de serem acusados de racistas com as pessoas em questão.

No que diz respeito à comunidade romani tive alguma curiosidade em saber como a autora os faria reagir com a morte da criança e, qual o meu espanto com o capítulo onde esse episódio é relatado. Já trabalhei com comunidades ciganas e nunca, em caso algum, acreditaria que apenas a mãe sofresse com a morte da criança. Mais admirada fiquei pela comunidade nem sequer comunicar o desaparecimento da mesma… no entanto… talvez tenha feito juízos de valor antecipadamente.

A escrita da autora cativa, embora como já disse anteriormente, é uma escrita densa que nos obriga a ler o livro de forma mais cuidadosa, não existe o ritmo alucinante ao qual me habituei com vários autores de policiais. É uma escrita diferente, intrigante e que nos leva a cair em erro por diversas vezes. Para os amantes de trhiller psicológico é de certo, uma autora a seguir pois consegue de forma magistral, dar a volta ao enredo apresentando-nos o inesperado… e é exatamente isso o que procuramos num livro deste tipo
Aconselho a leitura deste livro de mente aberta, lendo as entrelinhas de forma a chegar aos significados ocultos existentes na trama, se não o conseguirem, contem com surpresas e reviravoltas que vos faça abrir os olhos de espanto.

Os meus parabéns à Planeta pela qualidade gráfica deste livro, bem como dos restantes. A escolha da capa não sei se recaiu sob a editora mas é de fato muito convincente e sui generis!

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