11 Julho 2013

Quero a Minha Mãe, de Cathy Glass (Opinião)


Para mais informações acerca do livro Quero a Minha Mãe, clique aqui

Sinopse:

Cathy é uma profissional de acolhimento de crianças em risco com muitos anos de prática de lidar com crianças em risco. Por isso quando a pequena Alice, de quatro anos, chega a sua casa, Cathy apercebe-se com estranheza do quanto, apesar de confusa e vulnerável, ela é bonita e parece bem cuidada. À medida que os dias passam, torna-se evidente que tudo o que Alice mais deseja é regressar para junto dos avós maternos e da mãe. Perante a decisão do tribunal, que declara esta criança como um caso para adoção, Cathy envolve-se inevitavelmente numa luta desesperada para ajudar a criança.

Da autora do bestseller Infância Perdida, Quero a Minha Mãe é baseado numa história verídica e inspirado na experiência de mais de 20 anos de Cathy Glass a trabalhar com crianças em situações problemáticas.


Opinião de Claudia Lé:

Quem tem seguido o blog Crónicas de Uma Leitora já deve ter dado conta que ultimamente tenho lido praticamente todos os livros desta autora, falta-me apenas o último, esperando de forma atenta e ansiosa, uma promoção daquelas que a Presença tem todas as semanas, não é assim Presença ;-)?

A escrita desta autora seduziu-me muito para além das estórias em si que nos chocam, especialmente a forma como certas crianças são tratadas pelas pessoas que mais as deveriam amar. No entanto este livro foi uma autêntica lufada de ar fresco, uma vez que observamos de que forma a família mais direta da pequena Alice acaba por lutar por ela, desejando-a acima de tudo e fazendo os possíveis para ir contra o sistema que, no caso de Alice, foi completamente incompetente.

Alice é retirada à família infelizmente por falta de comunicação que muitas vezes existe em serviços como este, bem como devido à falta de profissionalismo dos vários assistentes sociais que conduziram o processo desta pequenina. Não tivesse sido ela colocada em casa da autora, e tenho sérias dúvidas se Alice não voltaria ao sistema com traumas bem profundos após a sua permanência em casa de seus pai e madrasta.... mais não poderei adiantar sob pena de spoiler.

Fico muito surpreendida com a forma extremamente diplomática que Cathy conduz certas situações bastante caricatas, no caso deste livro. Noutros, fui confrontada com a sua diplomacia em situações que facilmente poderiam conduzir mulheres comuns e sensíveis (como eu) à prisão, devido a agressões agravadas a membros da família das crianças em questão! A presença dos filhos de Cathy, dois filhos biológicos e uma filha adotada são uma constantes nos livros, bem como elementos fulcrais para o apoio prestado neste caso a Alice.

A semana passada falei com um professor acerca da minha opinião, nada favorável, aos livros que os adolescentes devem ler durante a sua permanência na escola, os clássicos disse-me o professor em questão defendendo a sua leitura e posterior análise. Por vezes penso que deveriam ler este tipo de livro em vez de estudarem os ditos clássicos. Com esta afirmação não quero retirar-lhes a sua verdadeira importância, mas não os acho adequados a idades como os 14 ou 16 anos de idade. Talvez livros como este, bem atuais e falando de realidades que muitos adolescentes não sonham sequer, poderiam de alguma forma «acordá-los» e passar um pouco mais rapidamente pela maravilhosa fase narcísica que é a adolescência! Por outro lado, talvez ajudassem de uma forma direta, crianças ou adolescentes que têm vivências destas em casa, podendo aperceberem-se não serem os únicos e que existem opções de ajuda!

Mais uma vez adorei o livro, este de forma bastante diferente dos anteriores uma vez que acaba por ser, acima de tudo, a estória de amor de uma mãe e dois avós pela sua pequenina Alice e da luta permanente por continuarem a fazer parte de sua vida. Com este livro fiz o que nunca fiz anteriormente, li as páginas finais antes de terminar o livro, tal era o meu estado de ansiedade!!!

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