Crónicas de uma Leitora: Infância Perdida, de Cathy Glass [Opinião]

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Infância Perdida, de Cathy Glass [Opinião]

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Sinopse:

Jodie foi confiada aos cuidados de Cathy Glass após uma vertiginosa passagem por cinco famílias de acolhimento em apenas quatro meses. O seu desenvolvimento fora gravemente afectado por abusos e maus-tratos, mas isso era apenas a ponta do icebergue da sua história. Cathy representava a última oportunidade de ela se integrar numa família, antes de ser relegada para o esquecimento de um qualquer internato. Durante os difíceis tempos que seguiram à aceitação daquele enorme desafio, Cathy teve a oportunidade de se relacionar intimamente com esta menina de oito anos e de ganhar a sua confiança ao ponto de ela aceitar exprimir toda a dor que a minava, criando pela primeira vez uma oportunidade de recuperar. Infância Perdida foi publicado em 2007 e tornou-se imediatamente um bestseller internacional.


Opinião de Cláudia Lé

Se antes de ser mãe, este tipo de livro era dos mais comuns encontrados na minha estante, após o nascimento de minha primeira filha passou a ser difícil ler livros como este ou como um dos mais dolorosos que li até hoje que é «Uma Criança Chamada Coisa». Este tipo de leitura passou a magoar-me de uma forma profunda e visceral, nunca por mim esperada. A minha formação é psicologia e já contatei bem de perto (mais do que o desejado) com casos que nos arrepiam e tendem a surgir em nossa mente quando nos preparamos para adormecer. Assim sendo há anos que não pegava num relato verídico e provavelmente, dos 4 livros publicados pela Presença, este deverá ser o mais doloroso.

Antes de mais um reconhecimento genuíno por tudo o que Cathy Glass tem feito pelas crianças que têm passado por suas mãos, família e acima de tudo, coração. Ao contrário do que se ouve muitas vezes acerca de famílias de acolhimento, esta «mãe» corresponde à verdadeira essência da definição de mãe de acolhimento. É generosa, acolhedora, meiga, firme e com um sentido de humor peculiar que a ajuda a fazer frente às mais adversas situações que Jodie a coloca...

No site da autora encontramos um update acerca da vida atual de algumas das crianças que Cathy acolheu, o que, no meu caso, acabou por me ajudar na leitura com menos angústia por saber o que hoje em dia, se passava com cada um deles... sim sim, li o update antes de ler o livro, caso contrário teria lido o mesmo com o coração nas mãos... uma coisa é ler ficção e, nesse caso, nunca em caso algum leio a última ágina antes de ler o livro todo... no caso deste livro, facilitou tanto que o li em menos de 24 horas.

Jodie é realmente uma criança extremamente traumatizada ao ponto de não conseguir sequer, receber e entender o que é o amor e o carinho, mesmo demonstrado por Cathy ela não consegue compreender esse tipo de sentimentos... encontra-se completamente alheada a tudo o que poderia de alguma forma, promover a sua auto-estima a satisfação a nível emocional. É impensável o que adultos, que faziam parte da vida de Jodie, aqueles que a deveria amar, proteger e educar, fizeram com esta criança...conseguiram de algum modo«anestesiarem-lhe» para o resto de sua vida, os sentimentos como amor, auto-estima, reconhecimento... Este tipo de pessoas, deviam sim ser julgados em praça pública e... e mais vale não me alongar por este tema mexe muito seriamente comigo.

Apesar do tema adorei o livro, faço questão de ler os restantes da autora sem sombra de dúvida. Aconselho a sua leitura naqueles momentos que sentimos pena de nós próprios pois é uma excelente bofetada para nos acordar e dar valor ao que de certo, temos como garantido... o amor de nossa família!!!

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