Crónicas de uma Leitora: "Corações Repartidos" de Ana Paula Almeida [Opinião]

domingo, 26 de maio de 2013

"Corações Repartidos" de Ana Paula Almeida [Opinião]


Corações Re-partidos



Sinopse:
A misteriosa morte de um taxista conduz os investigadores Cruz e Miranda a duas moradas. Diogo, o morto, deixou duas viúvas, duas casas iguais, uma vida dupla. Marta e Cristina são as mulheres que se vêm confrontadas com a cruel verdade: o homem que amam morreu e enganou-as uma vida inteira. Mas a alma de Diogo teima em não sossegar e tenta corrigir depois de morto o que não conseguiu em vida. E Cruz vive também um dilema semelhante, vendo na história do morto o espelho daquele que pode vir a ser o seu amargo destino. Juntas no luto e no amor pelo mesmo homem, Marta e Cristina lutam contra a raiva e a deceção.
Todos alimentam uma única esperança: deixar viver nos seus corações re-partidos o mais precioso dom da vida, o amor.

Opinião de Mafi:
Muito resumidamente não gostei nada deste livro. Eu já ia com expectativas baixas e a verdade é que este é mais um livro português a se juntar ao rol de livros que não gostei, infelizmente. 


Vejamos, temos a história de Diogo um taxista que acaba por ser assassinado e que após a sua morte e durante a investigação do crime descobre-se que levava uma vida dupla: casado com duas mulheres. 

A história em si tinha até bastante potencial mas logo nas primeiras páginas deparei-me com algo que não gostei e irritou-me profundamente: todas as personagens são iguais umas às outras, não são semelhantes, são mesmo iguais! O inspector Cruz, aquele que lhe cabe a tarefa de investigar a morte de Diogo é igual ao morto, levou em tempos também uma vida dupla, enganando Sílvia, a mulher com quem casou e agora vive atormentado por esses fantasmas do passado que não consegue esquecer. Presumo que o objectivo da autora tenha sido incutir alguma consciência no agente através dos erros de Diogo que aqui acaba por actuar como um sub-consciente do polícia. 
Penso que este enredo não tenha sido o mais certeiro, basicamente porque a impressão que me deixou é que o Diogo não se arrepende nada da vida dupla que levou. Concluindo uma pessoa sem qualquer moral dificilmente consegue meter juízo na de outrem.

Quanto às duas personagens femininas: Cristina e Marta...bem a sua caracterização é muito semelhante e para mim nenhuma se destacou. Achei-as fracas pois não transmitiram qualquer sentimento aquando da descoberta da bigamia do marido...a sério?!  Se eu descobrisse que o meu namorado/marido tinha não só outra mulher como era casado com esta eu ficava no mínimo revoltada, magoada! A autora não soube passar nenhum desses sentimentos, pois supostamente ambas pensam (e em certa parte concordo) que a culpa de isto ter acontecido era de Diogo e até compreendo que não sabendo da existência da outra, não haja sentimentos de revolta de uma com a outra mas quer dizer eu também não ficava propriamente amiga dela! Aqui isso acaba por quase acontecer, ambas demonstram aceitarem bem a sua situação infeliz sem um grito de fúria! Não gostei nada que ambas tivessem desempenhado o papel de coitadinhas.

Outro aspecto que me irritou demasiado foram os pensamentos de Diogo já depois de morto, especialmente uma passagem em que descreve que já chegou ao purgatório onde de um lado encontra-se o paraíso e de o outro o inferno...a cena é tão desnecessária, pois não acrescenta nada à trama. A escrita da autora é básica mas abusa do chamado purple prose, com descrições poéticas e exageradas que não me transmitiram nenhum sentimento. 

Em resumo é um livro que poderia ser bastante melhor e que acabou por ser uma leitura que me deixou indiferente a grande parte do que lia. 


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