Crónicas de uma Leitora: Uma Melodia Inesperada, de Jodi Picoult [Opinião]

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uma Melodia Inesperada, de Jodi Picoult [Opinião]



Uma Melodia Inesperada
de Jodi Picoult
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 480
Editor: Livraria Civilização Editora
ISBN: 9789722633840




Sinopse

Zoe Baxter passou dez anos a tentar engravidar e, quando parece que este sonho está prestes a realizar-se, a tragédia destrói o seu mundo. Como consequência da perda e do divórcio, Zoe mergulha na carreira como terapeuta musical. Ao trabalhar com Vanessa, o relacionamento profissional entre as duas transforma-se numa amizade e depois, para surpresa de Zoe, em amor. Quando Zoe começa a pensar de novo em formar família, lembra-se de que ainda há embriões dela e de Max congelados que nunca foram usados.



Opinião:

Jodi Picoult é uma autora da qual me admiro não deter todos os livros dela, saboreá-los mais do que uma vez e nunca pensar sequer em me desfazer deles. Admiro-me pois embora já tivesse lido dois livros que gostei muito (Em Troca de Um Coração e 18 Minutos), eu quase me obrigo a ler esta autora. Cheguei mesmo a trocar livros dela sem os ler e este esteve para ter o mesmo destino. Não consigo compreender o facto de ter lido 3 livros da autora, adorá-los, mas ainda me sentir tão relutante a pegar no próximo. A resposta acaba por ser simples, Jodi Picoult debruça-se sobre temas da atualidade, temas que nos são próximos no dia a dia mas dos quais tentamos manter uma distância cuidada, de forma a protegermo-nos. Ou porque somos a favor de determinada personagem ou a favor de outra, duvido que não haja sentimentos positivos ou negativos por parte de quem lê os seus livros.

O presente livro debruça-se sobre a questão da homossexualidade, a religião, a constituição de uma família tendo por base um casal homossexual e todos os preconceitos/valores que daí advêm. Por um lado temos Zoe, após 3 tentativas infrutíferas de levar uma gravidez ao fim é abandonada pelo marido que, após anos de tentativas já não quer continuar a tentar. Não, Max não está a ser egoísta, não o caracterizei desse modo, Max apenas não sabe lidar com mais uma perda, mais um luto, mais um afastamento por parte de Zoe que há muito deixara de se fazer sentir na vida do casal. Zoe e Max deixaram de viver como casal para viverem para as constantes tentativas de Zoe engravidar.

Esta é uma luta de muitos casais, infelizmente assisti de perto e sei que as mulheres tendem em lutar por mais uma tentativa em engravidar. E a culpa é de quem? Primeiro não existem culpas, de forma alguma, mas desde que nascemos que nos é «imposto» a condição de mães, quantos bebés e bonecas uma menina detém ao longo da vida, e ao fim de quanto tempo de vida recebe a sua primeira boneca ou peluche? Assim sendo, como é que podemos desistir? Zoe continuou sem querer desistir, Max sentiu que não conseguiria sobreviver a mais um luto, uma deceção e acabou por pedir o divórcio.

Com o passar do tempo Zoe conhece Vanessa apaixonando-se por ela e após o casamento, decidem constituir família. Max que entretanto havia abraçado a religião fica abalado quando, em primeira instância, é informado pela ex-mulher que esta se encontra envolvida com outra pessoa do mesmo sexo, bem como, com o pedido de Zoe que este dê autorização para que o novo casal possa utilizar os seus embriões numa eventual gravidez. Max não aceita!

Mais uma vez, Max está a ser egoísta? Numa primeira leitura achei que sim, não aceitei o facto de Max não concordar em disponibilizar os embriões para que Zoe, já com 41 anos, possa tentar ser mãe... afinal, os homens até aos 80 conseguem ser pais certo? Depois pensei... e se fosse comigo, colocando numa situação mais simples, se o meu ex-marido me pedisse para ceder os meus embriões para serem implantados na sua atual esposa, eu aceitaria de bom grado?

Este é um livro que, de forma nenhuma, nos deixa indiferentes. Consegue por vezes, arrepiarmo-nos da mesma forma que nos arrepiávamos nossa infância, quando arranhávamos um quadro de ardósia. As personagens são fortes, bem construídas, atuais... muito atuais. A religião encontra-se bastante presente neste livro, especialmente sobre a forma do Pastor Clive. Mas não precisamos de pastores ou membros religiosos para conhecermos alguém que não concorde de forma nenhuma, com a hipótese de um casal homossexual poder formar família ou mesmo adotar. Claro, é preferível as crianças ficarem anos abandonadas no sistema e aos 18 anos, serem praticamente «despejadas» para uma sociedade que acima de tudo, espera que haja por trás dessa criança, uma família, seja ela funcional ou não.

Há muitos anos atrás debati este tema quando fiz a formação inicial de formadores, a formadora apelidou-me de atriz, por colocar a hipótese de, em caso de doença da minha parte, eu preferir que um filho meu ficasse com um casal homossexual que eu conhecesse, do que internado numa instituição, no entanto tenho a certeza que muitos pensam dessa forma. Estarão eles incorretos, estarei eu incorreta, não sei e duvido muito que nos próximos anos venhamos a saber o que é melhor para uma criança.

Relativamente ao livro, aconselho com 20 estrelas, é de certeza uma autora que irei estar mais atenta!

2 comentários:

  1. Olá,
    Adorei a tua forma de abordar os livros de Jodi que não leste, eu sinto exatamente o mesmo. Li quatro livros dela amei mas tenho os restantes e não pego. Mas eu acho que sei em relação a mim pelo menos, é porque são temas tão fortes que mexem muito comigo, desembrulham e embrulham os meus sentimentos, chegam a criar revolta. os que já li dela foram Ilusão Perfeita, Compaixão (este é o meu favorito), Para a minha irmã e No seu mundo.
    Beijinhos e boas leituras!

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  2. Não posso deixar de dizer que sinto o mesmo pelos livros da Jodi Picoult... Já li 3 e adorei, mas são muito "fortes2 e devastadores... quero ler mais dela, mas tem que ser com muita calma :-)

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