Crónicas de uma Leitora: Os monstros também amam, de Clara Sánchez [Opinião]

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Os monstros também amam, de Clara Sánchez [Opinião]



 
Título: Os monstros também amam
Autora: Clara Sánchez
Editora: Matéria Prima
Data 1ª Edição: Setembro de 2012
Nº de Páginas: 368

Sinopse:

Sandra tem 30 anos, está grávida de um homem que não ama e decide ir viver para uma pequena aldeia costa leste espanhola. Num dos seus passeios pela praia conhece os Christensen, um casal de octogenários noruegueses e estabelece com eles uma relação de proximidade.
Nada faria supor que estas três vidas, unidas por acaso, pudessem ser a razão de viver de Julián, um homem recém-chegado da Argentina que segue, passo a passo, os noruegueses. Um dia Julián aborda Sandra e revela-lhe detalhes do seu passado e do dos seus novos amigos. E conta-lhes que os Christensen não são quem aparentam ser. Repleto de suspense e emoção, Os Monstros Também Amam é, acima de tudo, um romance sobre as ambiguidades do ser humano, entre a maldade e o amor, e sobre a forma como as aparências escondem o lado mais negro de cada um de nós.

Opinião por Cátia Correia:

Clara Sánchez? Desconhecia por completo, mas confesso que a capa fantástica deste livro e uma sinopse que me agradou bastante, foram os fortes motivos que me levaram a ler este livro, assim que me chegou à estante.
Embora viesse a descobrir depois que a foto da mulher da capa por de trás do arame farpado nada tem a ver com a protagonista Sandra, que é uma jovem moderna com piercings, tatuagens e cabelos coloridos, mas sim que nos remete para outros tempos longínquos de histórias e realidades passadas, mas abordadas aqui.
Classifico este livro não como um suspense, mas como um grande drama e esse sim carregado de emoção e mágoa. A história é-nos apresentada sobre a visão de duas personagens, Sandra – a jovem grávida, despreocupada com a vida e confusa com o que fazer com o seu futuro, com medo da solidão; e Júlian – um homem que sofreu demasiado no passado nas mãos de outras pessoas e nos entretantos da história, classifico-o como um homem amargo, triste, que nunca se sentiu suficientemente resolvido ou vingado; o casal Christensen, vamos conhecendo através da narrativa das duas personagens já referidas, mas nunca a sua verdadeira perspetiva, gostava de ter lido esse vertente, mas pronto.
Karin e Fredrik Christensen são um casal já de idade, norueguês, que vive pacificamente no calor do sul de Espanha e que do seu passado pouco ou nada deixam transparecer. Sandra é uma jovem que aparentemente acolhem e lhes vem alegrar uma pouco a rotina dos seus dias.. mas a meio do livro e ao conhecermos a história deste casal através de Júlian, pergunto-me, o que será que eles realmente pretendem de Sandra? E quem são realmente aquelas pessoas que os rodeiam?
Júlian por sua vez chega ao sul de Espanha vindo da Argentina em busca dos fantasmas que ainda o atormentam, e recebe um presente envenenado deixado por um velho amigo já falecido que vivera juntamente com ele o pesadelo do Holocausto, informações sobre este casal que o fazem desejar uma última vingança antes que os seus dias acabem. Neste livro somos levados ao passado nas suas memórias e por breves momentos regressámos ao campo de concentração onde esteve preso. Júlian acaba por chegar até Sandra e envolvê-la neste drama, mas é difícil de acreditar na sua história tão atroz, será mesmo possível que a enfermeira Karin era uma criminosa sem escrúpulos que ajudara a matar centenas de pessoas, para prosperar com o marido, condecorado pelo próprio Führer?
Haverá um verdadeiro uniforme das antigas SS, guardado na biblioteca sempre trancada? E a cruz de outro, existirá naquela mansão tão agradável? O que será que o casal já idoso e o seu ciclo de amigos teimam em esconder, passando por pessoas velhas, ricas e inocentes? Estas foram questões que me foram consumindo ao longo do livro, e a cada página que virava, vinha a vontade que virar logo a seguinte para descobrir mais qualquer coisa.
Sandra encontra-se completamente cercada e envolvida, por um lado Júlian que a conforta e a quem leva todas as informações que pode, por outra Karin e Fredrik que a aceitam com uma estranha devoção, levando-a a incluir-se na Irmandade. No final não fazia ideia do desenlace que me esperava, nem sabia bem o que esperar do final desta história, se morte e vingança ou perdão e arrependimento? Mas gostei, e o querido Júlian acabará por ter alguma paz, a merecida.
O livro proporciona-nos uma leitura bastante agradável, pois é dividido em capítulos, e estes repartidos entre as perspetivas das personagens Sandra e Júlian, apesar do drama carregado de segredos e emoção, é um livro que se lê com muita fluidez.

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