Crónicas de uma Leitora: "Se os mortos não ressuscitam", de Philip Kerr - Opinião

sexta-feira, 15 de março de 2013

"Se os mortos não ressuscitam", de Philip Kerr - Opinião

de Phillip Kerr
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 480
Editor: Porto Editora
 
Sinopse
Berlim, 1934. Os nazis garantiram a realização dos Jogos Olímpicos de 1936, mas enfrentam grande resistência estrangeira. Hitler e Avery Brundage, o presidente do Comité Olímpico dos Estados Unidos, tudo fazem para tentar encobrir o antissemitismo nazi e assim convencer a América a participar nos Jogos. Bernie Gunther, agora detetive num dos hotéis mais conceituados de Berlim, vê-se arrastado para este mundo de corrupção internacional, enredado entre as várias fações do aparelho nazi.
Havana, 1954. Fulgencio Batista, apoiado pela CIA, acabou de subir ao poder. Fidel Castro foi preso e a Máfia americana ganha poder sobre a indústria do jogo e da prostituição. Bernie, recentemente expulso de Buenos Aires, reemerge em Cuba com uma nova identidade, decidido a levar uma vida de relativa paz. No entanto, quando se depara com duas figuras do passado - um pérfido assassino dos tempos de Berlim, que pouco depois é misteriosamente assassinado, e uma antiga amante que, ao que tudo indica, poderá ser a responsável pelo crime -, percebe que não tem como lhe fugir.
 
Opinião
Abrangente. Dinâmico. Esclarecedor.
"Se os mortos não ressuscitam" é um título curioso, mas que faz todo o sentido nesta obra que acaba por ser muito mais do que um thriller ou um policial. No sentido inverso porém, o protagonista parece ter uma capacidade regenerativa invulgar, a nível mental, físico e emocional, que tão bem caracteriza o povo alemão. É um homem diferente, ciente dos seus fantasma, embora com a capacidade de lidar com eles sem nunca esquecê-los. Este é o primeiro ponto, a meu ver que se destaca.
Depois, a descrição das ditaduras alemã e cubana são tão reveladoras, minuciosas e bem descritas que nos sentimos como se estivessemos lá, ainda por cima na óptica de alguém que se vê obrigado a pactuar sem, no entanto, concordar com as políticas praticadas. Penso que esta visão é perfeita e se assemelhará à da maioria das pessoas que terá vividos naqueles locais e naquelas datas. E, de facto, nunca vi esta forma de abordar esta época negra da história ser tão bem explorada quanto Kerr o fez neste livro.
Para além disso, o movimento, a acção, a corrupção, o crime e a paixão estão permanentemente presentes no enredo, onde nada ocorre por acaso.
Gostei muito deste livro que levei algum tempo a ler, pelo simples facto de querer captar todo o pormenor que Kerr quis mostrar. 

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