Crónicas de uma Leitora: [Opinião] Toque de Veludo, de Sarah Waters

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

[Opinião] Toque de Veludo, de Sarah Waters


Autor: Sarah Waters
Editora: Editorial Bizâncio
N.º de Páginas: 425
Edição/Reimpressão: 2009


Sinopse: 
Um romance irreverente, sensual e multifacetado, cuja acção se desenrola na Inglaterra vitoriana. Toque de Veludo acompanha a carreira fulgurante de Nan King - a rapariga humilde que se transformou em vedeta do music-hall e que, após um percurso dissoluto, se redescobre como lésbica no East End.


Opinião: 
Esta é uma história de amor, mas não é uma história de amor comum. Nestas páginas, conhecemos a sociedade inglesa entre 1880 e 1890 e as mulheres desse tempo, que eram obrigadas a esconder os seus sentimentos e as suas relações para não sofrerem represálias. E é neste ambiente que conhecemos Nancy, a rapariga que eu pensava que teria uma relação homossexual feliz e seria uma estrela de music - hall. Mas nada do que eu esperava aconteceu.
Este livro é, sobretudo, imprevisível. Havia imensas coisas que eu dava como certas na história, e afinal nada disso foi permitido por muito tempo. É também um livro de sonhos, mas que no entanto mostra os sonhos de uma forma real, e não de maneira a que apenas fique bonito e nos deixe felizes. É uma história que acaba por ser cruel, mas que representa aquilo que na realidade é a vida, com todos os erros e todas as consequências que deles advém. Foi das coisas que mais gostei na leitura.
No entanto, o livro é realmente complicado de se ler. A narrativa parece que se estende indefinidamente, o que me fez demorar muito mais do que é habitual a lê-lo. Não desisti de o ler, porque a história de Nancy cativou-me, por não ser uma história comum e igual a tantas outras. E no fim, esta demora acabou por ter um efeito engraçado: a história desenrola-se ao longo de sete anos, e ao fim deste tempo, a personagem principal acaba por recordar os tempos iniciais. E não é que, por ter demorado tanto tempo a ler, consegui sentir a nostalgia de Nancy, como se realmente tudo aquilo que se tinha passado tivesse ocorrido há tantos anos que nem parecia daquela história?
O final fez-me sentir orgulhosa de Nancy mas, sobretudo, firmou a minha opinião sobre o que já disse: este não é um livro em que se tenha certezas de alguma coisa e é, sobretudo, um livro incomum. Pode-se esperar muitas desilusões, muitas emoções fortes, muita raiva, muito ódio e muitas situações caricatas e impensáveis. Foi, sem dúvida, isso que me cativou e me faz recomendar a leitura.

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