Crónicas de uma Leitora: Crónica da Vera #3

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crónica da Vera #3

A Fórmula


Andei a pensar nos livros que ando a ler e decidi que existe uma lei à qual muitos escritores obedecem. É a lei da fórmula, acreditem em mim, há uma fórmula para escrever livros, uma para cada estilo literário.
Lembrem-se dos livros de fantástico que estão a ler ou já leram, pensem bem: existe um rapaz com poderes, sejam eles quais forem, a regra é que o rapaz seja o ser sobrenatural, depois existe uma rapariga, tola, sonsa, sensaborona, que é gira mas não é linda, que é inteligente mas apagada uma daquelas miúdas sem sal nenhum, tem tantos defeitos que todas nós nos identificamos com algum. Depois eles apaixonam-se perdidamente desde a primeira vez que se vêem e o rapaz foge a sete pés ou é agressivo para esconder o seu segredo.
De vez em quando há um autor com um rasgo de genialidade e inverte o papel da rapariga, ela é o espectacular ser sobrenatural e ele? Ele não é nenhum totó, geralmente é um rapaz lindo, forte, inteligente capaz de qualquer coisa. Claro que nós mulheres nesse aspectos somos muito mais exigentes, é um facto. Mas isto é raro de acontecer a fórmula dita que o rapaz seja fabuloso e a rapariga uma tolinha.
Mas admitamos as fórmulas resultam daí venderem tantos e a "era do fantástico" explodiu em força com uma tal de Stephenie Meyer a mãe dos vampiros brilhantes e dos lobisomens dóceis. Eu culpada me confesso adorei a saga, li-a até decorar as páginas, chorei, ri, apaixonei-me, sonhei com as personagens, sou completamente twilight freak e depois disso vieram mais e mais e mais! Mas convenhamos que até hoje ninguém consegue perceber o que raio um vampiro vivido como o Edward vê naquela Bella irritante sem ponta de interesse.
E agora eu pergunto: mas porque raio continuamos a gostar e a ler livros de fantástico. Sei lá!!! Cada um sabe de si... eu sou masoquista vocês não faço ideia, mas que a fórmula resulta lá isso resulta.
Outro estilo que me parece ter uma fórmula que resulta é a de romance sensual, destes livros não posso falar muito porque ainda não li assim tantos que possa já ter formado uma opinião consistente mas quem lê, acusem-se lá, não acham que há uma fórmula? Uma mulher que à partida parece ingénua mas que na verdade ao descobrir os prazeres da carne se transforma numa tarada e um homem que é grande, lindo, forte e viril (geralmente um qualquer conde, lorde, duque da época vitoriana) que sabe todos os truques sexuais e que deixa a mulher completamente rendida. E depois dizem que é romance histórico quando a única alusão a história é o ano e as vestes. É romance de época (quando é) e já estão cheios de sorte. E isto quando não é erotismo puro com tantas cenas de sexo que ficamos com os olhos em bico, o coração a palpitar e as faces afogueadas.
Mas este estilo existe desde sempre, quem nunca leu um "Julia" ou um "Bianca" que atire a primeira pedra, todos eles com cenas tão picantes como dez malaguetas das mais fortes. Mas há por aí um tipo "Cinzento" que anda a arrancar suspiros com o seu estilo dominador que pelos vistos anda a mexer com o mulherio só que eu já falei deste tipo e não me apetece andar a dissertar sobre a sua tara.
O certo é que estas fórmulas são mais certas que as fórmulas matemáticas e com toda a certeza fazem mais sucesso. Eu continuarei a explorar este assunto lendo mais livros, um sacrifício portanto!

3 comentários:

  1. eu assassinei a fórmula... adoro clichés, mas estou farta deles até à raiz dos cabelos... o meu projectozinho não segue a fórmula... se algum dia ver a luz do dia, mostro-te Vera ;))

    gostei muito desta crónica!

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  2. fico à espera de poder lê-lo!

    obrigada :*

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  3. Tens toda a razão! anda tudo louco com os livros eróticos quando eles já existem há que séculos pela Harlequin, que é muito desprezada pelas pessoas, mas que não deixa de ser uma editora e os livros que edita, não deixam de ser livros! :)

    Gostei muito Verinha, continua.

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